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Portugal admite manutenção de sanções europeias à Rússia

O ministro dos Negócios Estrangeiros português admitiu hoje que a União Europeia poderá manter, no Conselho Europeu, este mês, as sanções à Rússia, impostas na sequência da "anexação ilegal" da Crimeia, na Ucrânia.

TIAGO PETINGA

As relações entre a União Europeia (UE) e a Rússia "estão perturbadas desde a anexação ilegal da Crimeia, em 2014". Os 28 países aprovaram sanções à Rússia, "que retaliou com embargos, designadamente afetando o setor agroalimentar europeu" e Portugal "é um dos países prejudicados", disse hoje o chefe da diplomacia portuguesa, numa audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

"Os chefes de Estado e de Governo, no próximo Conselho [Europeu, nos dias 28 e 29 de junho], terão de reexaminar a lógica das sanções. A minha expectativa é que, não tendo havido nenhuma alteração substancial dos factos, não vá haver também nenhuma alteração substancial às sanções", afirmou.

Na sua opinião, a gestão deste processo requer "inteligência política".

Santos Silva lembrou que a Rússia "é um dos parceiros mais importantes, a leste, da União Europeia e a União Europeia tem de reforçar a sua política de vizinhança".

Sobre a relação entre a Rússia e a NATO, igualmente tensa, o governante disse esperar que a cimeira da Organização do Tratado do Atlântico Norte que se realizará em Varsóvia (Polónia), em julho, signifique "um novo passo de reatamento do diálogo político", algo que Portugal tem vindo a defender.

"A nossa posição tem sido a de defender a necessidade desta dupla dimensão de relação: há uma lógica de segurança e de dissuasão e há uma lógica de diálogo político que se deve fazer na base de ameaça comuns a ambos os blocos, que é a ameaça terrorista", sustentou.

Santos Silva disse ainda esperar que a cimeira permita um reforço da cooperação entre UE e NATO, "tendo em atenção que são duas entidades muito diferentes entre si".

Ainda sobre a política externa da União Europeia, cuja revisão está atualmente em debate, o ministro considerou que haverá "um momento decisivo no dia 23 de junho, no Reino Unido", referindo-se ao referendo sobre a permanência do país na UE.

"É absolutamente essencial, do ponto de vista do robustecimento da política externa, que os britânicos optem por manter-se [na União Europeia]. Uma eventual - espero que não venha a ocorrer - saída britânica da União significaria ter de mudar por completo o quadro e também a dimensão da política externa e de segurança da União Europeia", salientou Augusto Santos Silva.

Sobre este processo, conhecido como 'Brexit', a deputada do PCP Carla Cruz voltou a criticar o que disse ser a chantagem que tem sido exercida sobre os cidadãos britânicos e criticou o acordo estabelecido com a UE para que o primeiro-ministro inglês, David Cameron, defenda a permanência do país na comunidade.

Lusa

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