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CGTP reivindica 35 horas para todos os trabalhadores da Função Pública

O secretário-geral da CGTP voltou hoje a defender em Torres Vedras que a reposição das 35 horas de trabalho seja para todos os trabalhadores da Função Pública sem exceção.

ANT\303\223NIO COTRIM

"Valorizamos a reposição das 35 horas, mas continuamos com um número significativo de trabalhadores que, tendo contrato individual de trabalho e prestando serviço público, são confrontados com a manutenção das 40 horas", afirmou Arménio Carlos à agência Lusa.

Para o líder da central sindical, "há condições para se revolver o problema através da negociação que assegure que esses trabalhadores também tenham direito às 35 horas", o que é de elementar justiça, para haver o princípio da igualdade de tratamento dentro da administração pública".

A CGTP apoiará uma eventual greve se o Governo deixar de fora os trabalhadores com contratos individuais de trabalho e não fixar as 35 horas de trabalho semanal para todos.

O secretário-geral da CGTP falava à margem de uma concentração de trabalhadores à porta da empresa Cobert Telhas, da indústria cerâmica, no Outeiro da Cabeça, Torres Vedras.

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Cimento, Construção, Mármores, Madeiras e Cortiça, que anunciou para hoje um pré-aviso de greve entre as 15:00 e as 18:00, a segunda este ano, revelou que a paralisação teve uma adesão de cerca de 33%, ou seja, aderiram à greve meia centena dos 150 trabalhadores das três unidades industriais da empresa.

O presidente do sindicato, Pedro Jorge, explicou à agência Lusa que os trabalhadores exigem aumentos salariais, que não acontecem desde há cinco anos, e a revisão do Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) para o setor, mas a empresa recusa-se a negociar.

No plenário realizado à porta fechada, os trabalhadores decidiram pedir uma nova reunião à empresa para tentar negociar o que reivindicam, antes de avançarem para outras formas de luta.

Contactada pela Lusa, a administração da empresa respondeu através da assessoria de comunicação que a adesão à greve foi de 12% e justificou que não tem havido revisões salariais devido à crise na construção, que se arrasta desde 2008.

Contudo, apontou outras compensações de que os trabalhadores beneficiam, como medicina clínica, seguro de saúde, transporte entre a residência e o trabalho ou, em alternativa, subsídio de transporte.

A Cobert afirmou que paga salários de 600 euros, acima da média do setor.

Quanto ao CCT, remeteu as negociações para a associação patronal do setor, a Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria (APICER), que, por sua vez, os sindicatos acusam de não querer dialogar com as estruturas sindicais.

O secretário-geral da CGTP apontou a Cobert Telhas como um exemplo da situação laboral em Portugal, com empresas "a não atualizar anualmente os salários, a manterem uma política de costas viradas para os sindicatos e para as reivindicações dos trabalhadores, a pertencer a uma associação patronal que bloqueia a contratação coletiva e a apostar na precariedade", tendo na época baixa 23 trabalhadores subcontratados e, na época alta, 27, "o que quer dizer que no mínimo há 20 postos de trabalho que são permanentes", mas que se mantêm como temporários e com trabalhadores em situação precária.

Lusa

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