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Presidente do Eurogrupo critica Juncker por assumir tratamento especial para França

O presidente do Eurogrupo critica as declarações do presidente da Comissão Europeia sobre o défice em França. Numa entrevista recente, Jean-Claude Juncker disse que o país tem tido um tratamento especial, nomeadamente com mais tempo para corrigir o défice excessivo.

Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo (à esquerda), e Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo (à esquerda), e Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

© Vincent Kessler / Reuters

O responsável do Eurogrupo, numa entrevista publicada hoje no jornal alemão Suddeutsche Zeitung, alerta para o "desleixo" da interpretação sobre o Pacto de Estabilidade e Crescimento e para "a indulgência" em relação aos "pecadores do défice".

Jeroen Dijsselbloem afirma que a Comissão Europeia seria "mais inteligente" se prestasse mais atenção "à sua própria credibilidade".

"Nós, Estados-membros precisamos de um árbitro que seja objetivo e que apoie o pacto", disse o ministro das Finanças holandês e presidente do Euro Grupo, que também se queixou da "politização" das decisões relacionadas com os orçamentos.

As declarações de Dijsselbloem, publicadas hoje na Alemanha e citadas pelo serviço em inglês da rádio Deutch Wella, são dirigidas diretamente a Jean-Claude Juncker, que, no princípio da semana, foi questionado sobre as medidas de exceção aplicadas ao Estado francês.

"Porque é a França", disse Juncker, acrescentando que, por causa dos atentados terroristas registados em 2015, o país deve ser tratado de forma especial em relação ao défice, devido às elevadas despesas em matéria de segurança.

O prazo para a França cumprir os três por cento do défice foi dilatado até ao próximo ano.

"Se [Juncker] diz que as coisas são diferentes para a França, então vai verdadeiramente atingir a credibilidade da comissão como entidade guardiã do pacto. Esta é a minha preocupação", disse Dijsselbloem.

O presidente do Eurogrupo apela ainda à Comissão Europeia para manter e proteger as regras do pacto, "seja qual for a dimensão do Estado-membro ou a realização de eleições, seja onde for".

A 18 de maio passado, a Comissão Europeia decidiu adiar para julho uma decisão sobre eventuais sanções a Portugal e Espanha no quadro dos Procedimentos por Défice Excessivo (PDE), admitindo que se tratava de uma decisão também política, que tinha em conta, entre outros aspetos, a realização de eleições em Espanha no corrente mês de junho.

O adiamento de eventuais (e inéditas) sanções suscitou criticas de alguns Estados-membros em sede de Ecofin (ministros das Finanças da União Europeia), designadamente do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, que considerou que "aliviar as regras não ajuda a aumentar a confiança".

Em resposta às críticas, o executivo comunitário alegou que os serviços jurídicos da Comissão consideraram que o adiamento de uma decisão sobre os PDE tinha toda a legitimidade e validade legal, pois as regras preveem "assegurar que as especificidades de cada situação são tidas em conta, assegurando ao mesmo tempo igualdade de tratamento".

A regra europeia do défice abaixo dos 3,0% do PIB já foi violada em 114 ocasiões pelos Estados-membros, sendo Portugal um dos países com mais infrações (10), indica um estudo divulgado a 23 de maio passado pelo Instituto de Investigação Económica alemão Ifo.

De acordo com o instituto, que procedeu aos seus cálculos com base em dados da Comissão Europeia entre 1999 e 2015, os Estados-membros da UE já quebraram por 165 vezes a 'fasquia' para o défice e, em apenas 51 ocasiões tal era permitido, dado os países estarem em recessão, o que não se verificou nos restantes 114 casos, 10 dos quais protagonizados por Portugal, número apenas superado por França (11).

Os Estados-membros com mais violações da regra do défice inscrita no Pacto de Estabilidade e Crescimento são a França, com 11, Grécia, Portugal e Polónia, todos com 10, Reino Unido (9), Itália (8), Hungria (7), Irlanda e Alemanha (5, em ambos os casos).

Com Lusa

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