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Lancôme encerra lojas em Hong Kong perante protestos

A empresa de cosméticos Lancôme fechou hoje alguns dos seus espaços comerciais em Hong Kong perante a marcação de protestos por a marca ter cancelado um concerto de uma cantora local crítica da China.

© Charles Platiau / Reuters

A cantora Denise Ho pediu na terça-feira explicações à marca francesa por a Lancôme lhe ter cancelado um concerto, alegadamente devido às suas convicções políticas.

O balcão de venda da marca no maior centro comercial de Times Square, em Hong Kong, foi hoje encerrado, assim como o centro de beleza que a marca possui no mesmo edifício, depois de se saber que foi convocado um protesto para a tarde nas imediações.

O organizadores do protesto avisaram que que poderão promover outras iniciátivas se não houver resposta da marca, que faz parte do grupo L'Orèal.

"O objetivo deste protesto é mostrar ao mundo que devemos manter-nos juntos e, através do boicote [aos seus produtos], mostrar à Lancôme e à L'Orèal que não se podem focar apenas no mercado chinês", afirmou Avery Ng, da Liga dos Sociais-Democratas, um dos 12 grupos que planeiam juntar-se ao protesto agendado para a tarde de hoje.

Os escritórios da L'Orèal em Hong Kong estão também encerrados e os meios de comunicação locais referem que os funcionários da empresa receberam uma nota interna na terça-feira a dizer-lhes para tirarem folga hoje.

Entretanto, foi também lançada uma petição na internet para apelar ao boicote dos produtos da Lancôme que já reuniu mais de 4.000 assinaturas.

O concerto promocional de Denise Ho, agendado para dia 19, foi cancelado após reações negativas nas redes sociais da China continental ao apoio da artista ao Tibete e a movimentos pró-democracia como o Occupy Central (de Hong Kong).

Em comunicado, Ho considerou a situação "extremamente lamentável", indicando estar a ser castigada por defender os seus direitos e afirmar as suas convicções.

No domingo, a Lancôme disse que o evento foi cancelado devido a "possíveis motivos de segurança".

A reação dos internautas chineses surgiu em resposta a uma publicação do jornal de Pequim Global Times, no microblogue Weibo. O jornal questionou o evento, acusando a empresa de cooperar com "veneno de Hong Kong" e "veneno do Tibete", ou seja, com uma apoiante da autonomia de Hong Kong e do Tibete.

Alguns internautas chineses começaram, então, a apelar a um boicote à Lancôme. Após o anúncio do cancelamento do concerto, surgiram novas ameaças de boicote, desta feita do 'outro lado da barricada'.

O Gobal Times reagiu à notícia, dizendo que a marca francesa revelou "sabedoria" ao cancelar o concerto. Para o jornal, "os motivos são óbvios": "Aparentemente, a Lancôme tomou mais em consideração os sentimentos do público da China continental, porque a China representa um mercado muito maior do que Hong Kong".

"Como empresa, deve procurar ganhos comerciais, uma sabedoria que deve revelar em situações complexas", escreveu.

Lusa

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