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CaixaBank indisponível para subir preço oferecido na OPA ao BPI

O catalão CaixaBank afastou a possibilidade de rever em alta a contrapartida de 1,113 euros por ação oferecida no âmbito da Operação Pública de Aquisição (OPA) que lançou sobre o Banco BPI, noticiou esta quinta-feria a Bloomberg.

© Albert Gea / Reuters

O administrador financeiro do CaixaBank, Javier Pano, passou esta informação hoje num evento da Goldman Sachs em Paris, segundo revelou à agência de informação financeira uma fonte que pediu para não ser identificada.

Javier Pano considerou que o preço oferecido é "justo", escreveu a Bloomberg, referindo que caso não seja aprovada a eliminação dos estatutos de bloqueio na entidade financeira portuguesa, que lhe limitam os direitos de voto a 20%, a oferta será retirada.

O CaixaBank é o maior acionista do BPI (com quase 45% do capital do banco português) e, em fevereiro do ano passado, já tinha apresentado uma OPA, com condições semelhantes, mas a valores superiores, que falhou quando os restantes acionistas do BPI votaram contra o levantamento do bloqueio aos direitos de voto.

Entretanto, recentemente, o Governo português aprovou um decreto-lei que permite a desblindagem desta cláusula de bloqueio dos direitos de voto.

A OPA do Caixabank sobre o BPI foi anunciada em abril, depois de o banco espanhol não ter conseguido chegar a entendimento com a angolana Santoro (empresa de Isabel dos Sanos e segundo maior acionista do banco, com 18,58%) sobre uma solução para o banco e sobretudo para a redução da exposição a Angola, onde o BPI tem o Banco Fomento de Angola (BFA).

O problema é que Frankfurt considera Angola como um dos países que não tem uma regulação e supervisão semelhantes às existentes na União Europeia, pelo que o BPI tem de reduzir a sua exposição ao mercado angolano (dívida pública e a exposição ao BFA, onde detém 50,1%) ou contabilizá-la a 100%, o que Frankfurt estima em 5.000 milhões de euros.

A operação em Angola é a jóia da coroa do BPI, sendo que no primeiro trimestre contribuiu com 37 milhões de euros para os resultados consolidados, ou seja, 77% do total dos lucros do banco.

Lusa