sicnot

Perfil

Economia

OCDE contra eventuais sanções a Portugal e Espanha por défice excessivo

O secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostrou-se hoje contra a aplicação de eventuais sanções da Comissão Europeia a Portugal e Espanha devido a défice excessivo, reclamando uma aposta no investimento e crescimento.

© NASA NASA / Reuters

Espanha e Portugal, diz Ángel Gurría, fizeram um "grande esforço de consolidação orçamental" e estão entre os países que "mais" reformas tiveram de aplicar em virtude da crise económica e financeira dos últimos anos.

"Parece-me que ninguém deve ser punido", vincou o responsável, que falava em Paris na apresentação de dois relatórios económicos anuais da OCDE: um sobre a União Europeia (UE) e um outro virado para a zona euro.

Sublinhando não falar no "abandono da disciplina" das contas públicas quando pede que não haja sanções, o responsável da OCDE reclama da UE um exercício "controlado e coletivo" de aposta de dinheiro público em áreas, como a educação, que fomentem o crescimento económico.

Na semana passada, a Comissão Europeia reiterou que se limitou a seguir as regras da governação económica europeia ao adiar uma decisão sobre eventuais sanções a Portugal e Espanha devido ao défice excessivo, desvalorizando assim as críticas do presidente do Eurogrupo, mas também de alguns Estados-membros em sede de Ecofin (ministros das Finanças da UE), designadamente do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que considerou que "aliviar as regras não ajuda a aumentar a confiança".

O parlamento português aprovou na quinta-feira dois votos de condenação, um da esquerda e outro do PSD/CDS-PP, contra a aplicação de sanções europeias a Portugal, o que levou o presidente da Assembleia da República a congratular-se com o "consenso".

A OCDE, por seu turno, pediu hoje o aumento do investimento público e privado para potenciar o crescimento económico, acrescentando que o investimento está ainda longe do período pré-2007.

No seu relatório anual para a zona euro, hoje divulgado, a entidade sublinha que, "ao contrário dos Estados Unidos, o investimento ainda está muito abaixo dos níveis de 2007, em particular nos países mais atingidos pela crise", como Portugal.

Lusa

  • Fuga de Vale de Judeus em junho de 1975 no Perdidos e Achados
    0:36

    Perdidos e Achados

    Prisão Vale de Judeus, final de tarde de domingo, dia 29 de junho de 1975. O plano da fuga terá sido desenhado por uma vintena de homens. Serrada a presiana metálica era preciso passar, para fora do edifício, as cabeceiras dos beliches onde os presos dormiam. Ao longo de cerca de uma hora 89 detidos, agentes da PIDE/DGS, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado português extinta depois da revolução de 1974, fogem do estabelecimento prisional.

    Segunda-feira no Jornal da Noite