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Caldeira Cabral diz não haver "nenhuma perspetiva" de medidas adicionais de contenção

O ministro da Economia disse hoje que não há "nenhuma perspetiva" do Governo de criar medidas adicionais de contenção orçamental e disse estar a encarar "com realismo" a revisão em baixa feita pelo FMI ao crescimento da economia portuguesa.

"Encaramos toda esta situação com realismo e estamos atentos a estes números", afirmou Caldeira Cabral, destacando como "muito positivo" no relatório do FMI a perspetiva assumida de que "o crescimento deverá melhorar ao longo do ano".

O ministro da Economia, que falava à margem da cerimónia de arranque das comemorações do 30.º aniversário da ANJE, no Porto, salientou ainda a perspetiva do FMI de que os objetivos de contas públicas serão "cumpridos também ao longo do ano".

Num comunicado após a conclusão da quarta missão de monitorização pós-programa (e também no âmbito do artigo V) divulgado hoje, o FMI reviu em baixa as previsões de crescimento económico para 1,0%, menos 0,4 pontos percentuais que os 1,4% previstos em abril no World Economic Outlook.

"Estamos num período internacional mais conturbado. O Brexit lançou algumas dúvidas sobre os mercados e, estamos também com uma situação internacional que tem levado algumas instituições internacionais a rever em baixa os números num conjunto muito alargado de países", comentou Caldeira Cabral.

Questionado sobre a revisão em baixa, o governante respondeu que "o FMI normalmente tem sempre expectativas mais pessimistas", salientando porém que "o próprio FMI reconhece no seu relatório que o crescimento em Portugal deverá melhorar ao longo do ano".

Quanto a medidas adicionais de contenção orçamental, o ministro da Economia disse que "não há nenhuma perspetiva disso" e que "em termos orçamentais" Portugal está "no bom caminho".

"Penso que, apesar de condições externas económicas adversas, estamos a conseguir cumprir as metas orçamentais", sublinhou.

Caldeira Cabral realçou ainda que "tanto o FMI como as instituições comunitárias hoje reconhecem que haverá um défice abaixo dos 3%".

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está mais pessimista em relação à economia portuguesa, esperando agora que o PIB cresça 1,0% este ano, abaixo do que previa em abril e do que ainda antecipa o Governo.

A instituição liderada por Christine Lagarde justifica a revisão em baixa com o abrandamento da economia portuguesa verificado desde meados do ano passado e com o aumento da incerteza a nível externo.

No comunicado divulgado hoje, o Fundo também reviu ligeiramente em alta a taxa de desemprego deste ano e do próximo, de 11,6% para 11,8% e de 11,1% para 11,3%, respetivamente.

Também nesse sentido, a instituição sediada em Washington defende que avançar com as reformas estruturais "é essencial para estimular a convergência de salários e a criação de trabalho, sobretudo dado o crescimento de desafios demográficos".

Lusa

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