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Bruxelas sem vontade política para reduzir dívida de alguns países, diz economista-chefe do FMI

A União Europeia não tem vontade política para reduzir a dívida de alguns Estados-membros disse Maurice Obstfeld, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao jornal Negócios.

© Kim Kyung Hoon / Reuters

"Não vejo vontade política para isso neste momento. Como objetivo de longo prazo, em termos de avançar em direção a formas mais cooperativas de gestão das políticas orçamentais estruturais, faz todo o sentido. Há propostas da Comissão Europeia para apoiar iniciativas estruturais em países individuais. Isso deveria ser analisado com cuidado", afirmou Maurice Obstfel.

Sem especificar, o economista-chefe do FMI refere que "algumas" reformas em Porugal podem dar resultados "muito depressa", considerando a importância de medidas fiscais como um meio para resolver os níveis da dívida pública e a fragilidade bancária.

"Não podemos pensar apenas numa ferramenta, temos de pensar no conjunto das ferramentas. Se não pode reduzir a dívida, então tem de aumentar o crescimento. Isso pode exigir reformas fiscais de várias naturezas e exige reformas no mercado do produto", declarou o responsável do FMI.

Sendo assim, Maurice Obstfeld sublinha que Portugal tem de encontrar formas de mobilizar a "grande bolsa de desempregados" com baixas qualificações.

"Se isso não acontecer, pode ser mais difícil lidar com o problema bancário atempadamente", argumenta.

Questionado sobre a fadiga em relação às reformas em Portugal, Obstfeld diz que o atual Governo fez campanha contra menos austeridade e que "é compreensível que, após vários anos de ajustamento", existe cansaço, mas frisa que os sucessos do passado podem ser "frágeis", num ambiente em que as dívidas empresarial e pública permanecem elevadas.

"O nosso concelho é que mantenham o rumo", sublinhou sem querer pronunciar-se sobre a dívida "sem olhar para os dados".

Maurice Obstfeld, 64 anos, foi conselheiro do Presidente norte-americano Barack Obama para temas macroeconómicos e foi entrevistado pelo jornal de Negócios à margem da Fórum do Banco Central Europeu, que decorreu na semana passada em Portugal.

Lusa

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