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Presidente do BIC considera "baixo" o preço oferecido pelo CaixaBank na OPA ao BPI

O presidente executivo do Banco BIC Angola, Fernando Teles, entidade angolana que detém uma participação qualificada de 2,28% no CaixaBank, considerou baixo o preço oferecido pelo banco espanhol na OPA lançada sobre o BPI.

"Continua a ser um preço baixo", considerou o responsável numa entrevista telefónica concedida hoje à agência de informação financeira Bloomberg, depois de confrontado com a forte desvalorização da maioria das ações da banca europeia nos últimos tempos.

"A oferta continua a ser muito baixa", reforçou Teles, referindo-se aos 1,113 euros por ação oferecidos pelo CaixaBank para controlar a totalidade do capital do BPI, banco do qual já é o maior acionista, com 45%.

As ações do BPI estavam hoje a ser negociadas a 1,107 euros na bolsa de Lisboa.

Os bancos que integram o índice pan-europeu Stoxx 600 estão nos níveis mais baixos desde a crise de 2011 devido às preocupações com a saúde do sistema financeiro italiano e com as repercussões da saída do Reino Unido da União Europeia ('Brexit').

O CaixaBank quer comprar o capital do BPI que ainda não controla por cerca de 900 milhões de euros, tendo avançado com uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) no dia 18 de abril.

Isto, depois de terem falhado as negociações com Isabel dos Santos, empresária angolana que é a segunda maior acionista do BPI (18,6%), através da Santoro, para resolver a questão de excesso de exposição do banco português a Angola, onde opera através do Banco de Fomento Angola (BFA).

Além disso, a filha do Presidente da República de Angola detém também 42,5% do angolano BIC - que atua no mercado português através do BIC Portugal -, sendo a maior acionista da instituição.

Mário Silva, o representante de Isabel dos Santos na administração do BPI, solicitou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que aponte um auditor independente para fixar o preço mínimo da OPA lançada pelo CaixaBank.

Outro acionista com mais de 2% do capital do BPI, a Holding Violas Ferreira, também já se manifestou contra a oferta do banco catalão, tendo dito em 15 de maio que a oferta não reflete o valor do BPI, nem sequer inclui um prémio pelo controlo do banco.

"Aguardamos serenamente a decisão do regulador português sobre esta matéria", disse Teles, acrescentando que espera que essa decisão seja tomada em breve.

O BPI tem agendada uma assembleia-geral para o próximo dia 22 de julho onde vai ser votada a supressão dos limites aos direitos de voto dos acionistas.

Lusa

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