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FMI critica França por "abrandar" ajuste fiscal e pede mais medidas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou hoje que França "está a abrandar" o ajuste fiscal necessário para restabelecer as contas públicas, e pediu que sejam considerados mais esforços para tornar sustentável a redução da dívida.

Paris, França

Paris, França

© Benoit Tessier / Reuters

Num relatório do seu Conselho Executivo, o FMI manteve inalteradas as previsões sobre a economia francesa para este ano, que deve crescer 1,5%. Para 2017, a previsão é também de 1,5%.

No entanto, o FMI reconheceu que aumentaram os riscos de descida devido a um potencial prolongamento da incerteza na Europa, causado por eventuais consequências do referendo do Reino Unido sobre a saída da União Europeia.

De acordo com os seus cálculos, o défice público francês, que foi de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, vai baixar para 3,3% este ano e para 3,0% em 2017, ou seja, no limite do compromisso do Governo francês com as instituições europeias. França, por seu lado, prevê que o défice seja de 2,7% em 2017.

O desemprego deverá sofrer uma diminuição ligeira, de 10,4% em 2015 para 10% este ano e para 9,7% em 2017.

O conselho executivo do FMI sublinhou que, perante o elevado nível de desemprego estrutural e as modestas perspetivas de crescimento a médio prazo, as autoridades terão de prosseguir com "uma ambiciosa agenda de reforma estrutural, em particular no terreno laboral".

Assim, reiterou que "o mercado laboral continua a ser um obstáculo chave para o crescimento" e admitiu que reformas como a lei do anterior ministro do Trabalho, François Rebsamen, e da atual ministra, Myriam El Khomri, constituiriam "um passo adicional" para favorecer os acordos dentro das empresas e reduzir a incerteza judicial para os que são despedidos.

O projeto de lei de El Khomri, que deve ser definitivamente adotado pelo parlamento no próximo dia 20, após um processo tumultuoso que incluiu uma moção de censura do Governo, suscitou greves e manifestações com centenas de milhares de pessoas nas ruas.

Ainda assim, o FMI estimou que para diminuir o desemprego rapidamente seriam necessárias "medidas adicionais", de modo a favorecer a procura por um posto de trabalho pelos desempregados que beneficiam de subsídios, além de alterações à fórmula do salário mínimo ou uma adaptação à formação e práticas laborais para ajustar melhor as necessidades do mercado.

Lusa

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