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Presidente do Novo Banco despede-se dos trabalhadores por carta

O ainda presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha, enviou uma carta aos trabalhadores a agradecer o esforço dos últimos dois anos, destacando as melhorias na liquidez e no resultado operacional, pedindo que continuem a empenhar-se sob a liderança de António Ramalho.

© Rafael Marchante / Reuters

Na carta datada de 12 de julho, mas que chegou ontem aos trabalhadores, Stock da Cunha faz um balanço dos quase dois anos que liderou o Novo Banco (desde setembro de 2014) considerando "inquestionável a recuperação encetada desde então em vários domínios", nomeadamente na "liquidez e, mais recentemente, na rendibilidade operacional".

"Sabemos que ainda há muito a fazer e os profissionais do Novo Banco terão de manter aquele esforço extra que, no final, terá assegurado a sobrevivência e a viabilidade da nossa instituição. Estou confiante que agora, com o Dr. António Ramalho ao leme e a melhor equipa de banca em Portugal, o Novo Banco continuará a responder adequadamente aos desafios de liquidez, capital e rendibilidade - bem como às necessidades de desinvestimento em áreas que, a seu tempo, definimos e à participação no processo de venda da posição acionista do Fundo de resolução, liderado pelo Banco de Portugal", lê-se na carta enviada aos trabalhadores, a que a agência Lusa teve acesso.

Eduardo Stock da Cunha garante que a liderança do Novo Banco - que assumiu em setembro de 2014, substituindo Vítor Bento, que então tinha renunciado ao cargo por não concordar com a estratégia do Banco de Portugal para a instituição - foi uma "missão" que abraçou com "empenho e determinação" e diz que foi mesmo com "grande orgulho" que o fez.

O ainda presidente considera que nestes dois anos, o Novo Banco mostrou ser uma instituição financeira "de referência" e "essencial" em Portugal e agradece o empenho de todos os trabalhadores nesse processo, incluindo aqueles "que, por razões várias, nomeadamente no âmbito do processo de reestruturação, não puderam continuar no banco".

Com a saída de Stock da Cunha, para regressar ao britânico Lloyds Banking Group, o Banco de Portugal anunciou esta semana que o novo presidente do Conselho de Administração do Novo Banco será António Ramalho, que iniciará funções a partir do dia 1 de agosto.

Ramalho, atual presidente da Infraestruturas de Portugal, tem 55 anos e uma experiência de cerca de 30 anos no setor bancário.

Começou na banca em 1985 no Grupo Champalimaud, tendo passado por vários bancos do grupo, e mais recentemente esteve na administração do BCP, entre 2010 e 2012, onde foi vice-presidente.

O Novo Banco é o banco de transição que resultou da resolução do Banco Espírito Santo (BES), em agosto de 2014, tendo ficado com os ativos e passivos considerados menos problemáticos.

Ainda assim, o banco tem vindo a acumular prejuízos, que foram 980,6 milhões de euros em 2015, justificando mais de metade do prejuízo ainda com o 'legado' do BES.

Quanto ao resultado operacional (antes de impostos, imparidades e provisões), esse foi positivo em 125 milhões de euros em 2015.

Já no primeiro trimestre deste ano, os resultados foram negativos em 249,4 milhões de euros. Ainda assim, o resultado operacional foi de 78,9 milhões de euros.

O Novo Banco está em processo de venda, tendo o BdP recebido até final de junho quatro propostas de compra, não tendo divulgado os nomes dos interessados. A intenção é fechar este processo ainda este verão.

Enquanto decorre este processo, o banco tem em marcha um plano de reestruturação, que acordou com a Comissão Europeia, o qual passa pelo desinvestimento em alguns negócios, alienações de ativos, mas também significativos cortes de custos, nomeadamente com redução de trabalhadores.

O compromisso com Bruxelas passa por reduzir em 1.000 pessoas o número de efetivos até final de 2016. O Novo Banco tinha, no final de 2015, 6.571 funcionários em Portugal e 740 nas atividades internacionais.

No entanto, como parte significativa dos trabalhadores já saiu, nomeadamente através de um programa de reformas antecipadas, e a venda de unidades no estrangeiro implica também a redução de pessoal, e 256 trabalhadores aceitaram a rescisão, neste momento está em curso o despedimento coletivo de 56 trabalhadores do banco e de mais 13 funcionários de empresas do grupo, como a seguradora GNB Vida.

Com Lusa

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