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Governo admite pior desempenho com crescimento de 1,4% e défice de 2,3%

O Governo indicou hoje à Comissão Europeia que, num cenário alternativo que considera os "riscos macroeconómicos", a economia portuguesa deverá crescer 1,4% este ano e o défice será de 2,3%, projeções mais pessimistas do que as anteriores.

De acordo com o relatório que acompanha as alegações fundamentadas de Portugal no âmbito do processo de apuramento de sanções, enviadas hoje pelo executivo de António Costa a Bruxelas, o Governo admite que, num "cenário alternativo", a economia apresentaria um crescimento de 1,4%, abaixo dos 1,8% anteriormente previstos para 2016.

Quanto ao défice orçamental, o executivo admite agora que poderá ficar nos 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), acima dos 2,2% esperados inicialmente, e, relativamente ao ajustamento estrutural, espera-se que atinja os 0,2 pontos percentuais do PIB.

Sublinhando que a execução orçamental até maio e a informação preliminar para junho "aponta para desenvolvimentos tanto na receita fiscal como na despesa que são compatíveis com a meta orçamental", o Governo admite que, "como normalmente, há riscos macroeconómicos", neste caso, com origem externa.

Entre os riscos identificados estão o "Brexit [a saída do Reino Unido da União Europeia] e os relativos aos amplos choques negativos que afetam parceiros comerciais importantes e que eram anteriormente dinâmicos, nomeadamente Angola e Brasil".

Assim, o executivo realizou uma "análise de sensibilidade" para avaliar o impacto que as medidas previstas podem ter no cumprimento do objetivo orçamental deste ano.

Neste "cenário alternativo", é esperada uma redução da receita fiscal de 0,3 pontos percentuais do PIB. No entanto, o executivo reitera que este impacto não é confirmado pelos resultados da receita fiscal até junho.

Para compensar esta eventual queda da receita fiscal, refere-se que, neste cenário, "as cativações que equivalem a 0,2% do PIB não vão ficar disponíveis" para fazer despesa.

Lusa

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