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Portugal coloca 1.904 milhões de euros em dívida, taxas afundam apesar do perigo de sanções

Portugal colocou hoje 1.904 Milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 6 e 12 meses, mais do que previsto, com as taxas de juro a cair, apesar do fantasma das sanções europeias.

Além das taxas de juro médias terem descido em ambos os prazos, a seis meses para níveis abaixo de zero, nos dois leilões de hoje o montante colocado de 1.904 milhões de euros foi superior ao indicativo, que era entre 1.500 e 1.750 milhões de euros.

Segundo informação da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) na página da agência Bloomberg, a entidade colocou 1.360 milhões de euros a um ano à taxa de juro média de 0,038%, inferior à de 0,043%, verificada no anterior leilão comparável de 18 de maio.

A procura atingiu 2.328 milhões de euros, 1,71 vezes superior ao montante colocado.

Os restantes 544 milhões de euros foram colocados em Bilhetes do Tesouro a seis meses a uma taxa de juro média de -0,003%, inferior à de 0,021% verificada no anterior leilão comparável, também de 18 de maio.

O total de propostas dos investidores para este prazo cifrou-se em 1.006 milhões de euros, 1,85 vezes superior ao montante colocado.

Em 18 de novembro do ano passado, as taxas de juro médias dos Bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses atingiram os mínimos de sempre de -0,018% e -0,006%, respetivamente.

Segundo o diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva, "as duas emissões de dívida de curto prazo correram bem para o Estado português, com as taxas de juro a descerem em ambos os prazos, conseguindo mesmo ir a taxas negativas nos seis meses".

"Não sendo a primeira vez que Portugal emite dívida de curto prazo a taxas negativas -- até já as emitiu mais negativas -, é o sinal de que este ambiente de baixas taxas de juro, com os países mais prósperos com taxas negativas, faz da dívida portuguesa uma alternativa menos negativa para os investidores", afirmou, sublinhando que na Alemanha a dívida a um ano tem um juro negativo de 0,65%.

Filipe Silva referiu que "o leilão correu bem ainda porque houve uma procura dentro do que é habitual e o montante colocado até ficou acima do pretendido".

Lusa

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