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Comissão de Trabalhadores da CGD estranha ausência de quadros do banco na administração

A Comissão de Trabalhadores (CT) da Caixa Geral de Depósitos (CGD) lamenta que nos nomes propostos pelo Governo ao Banco Central Europeu (BCE) para formar a nova equipa de gestão do banco não conste nenhum quadro próprio da instituição.

"É estranho que uma transição se faça sem uma única pessoa da casa", comentou à Lusa Jorge Canadelo, coordenador da CT da CGD, reforçando que fazia sentido que fosse incluído "algum elemento com experiência de CGD e formado na casa".

O responsável vincou que esta opção contraria a tradição no banco público, realçando que na administração liderada por José de Matos estavam dois quadros próprio da CGD (João Nuno Palma e José Cabral dos Santos).

O BCE aprovou 11 nomes propostos pelo Governo para o Conselho de Administração da CGD, mas rejeitou outros oito por excederem o limite de cargos em órgãos sociais de outras sociedades, confirmou na quarta-feira o Ministério das Finanças, sem identificar as pessoas em causa.

Segundo o Jornal de Negócios, os 11 responsáveis aprovados são António Domingues, Emídio Pinheiro, Henrique Cabral Menezes, Tiago Rarava Marques, João Tudela Martins, Paulo Rodrigues da Silva, Pedro Leitão, Rui Vilar (não executivo), Pedro Norton (não executivo), Herbert Walter (não executivo) e Ángel Corcostegui (não executivo).

Já os nomes chumbados são os de Leonor Beleza, Carlos Tavares, Bernardo Trindade, Ângelo Paupério, Rui Ferreira, Paulo Pereira da Silva, António da Costa Silva e Fernando Guedes, todos propostos para administradores não executivos.

"Esta administração será composta na sua maioria por pessoas ligadas ao BPI. Não temos nada contra isso, desde que sejam competentes. Mas é estranho que numa instituição com a dimensão da CGD não haja profissionais com capacidade para assumir cargos na administração", insistiu Jorge Canadelo.

Segundo o coordenador da CT do banco estatal, mais importante do que os nomes dos futuros gestores da CGD é o seu perfil, que tem que contemplar a defesa da causa pública e a manutenção da CGD como banco de capitais exclusivamente públicos.

De resto, Jorge Canadelo disse que pediu já há dois meses reuniões ao gabinete do primeiro-ministro, António Costa, e ao Ministério das Finanças, liderado por Mário Centeno, de forma a apresentar as ideias e as dúvidas da CT relativamente aos futuros líderes do banco público, mas que até agora não obteve respostas.

"Os trabalhadores têm que estar envolvidos neste processo de transição" da CGD, afirmou, salientando que o banco estatal, além de se preparar para receber uma nova equipa de gestão, tem pela frente o processo de reestruturação e de recapitalização.

Sobre o plano estratégico anunciado pelo Governo para a CGD, Jorge Canadelo revelou que a CT "está de acordo com os princípios básicos", mas que "o problema são os detalhes".

A estrutura que representa os trabalhadores quer ver asseguradas a "segurança e estabilidade" na instituição, algo que só é possível, segundo o coordenador da CT, com uma "gestão que assegure a implementação da estratégia definida pelo Governo".

E rematou: "Há bastante ansiedade entre os trabalhadores, que estão desinformados e à margem deste processo. A CT continua disponível para se apresentar junto do gabinete do primeiro-ministro e do Ministério das Finanças".

Lusa

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