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Clientes lesados do Banif manifestam-se hoje em Lisboa

Clientes lesados do Banif manifestam-se hoje em Lisboa pela defesa dos seus direitos e para criticar as atuações tanto do Banco de Portugal como do Santander Totta, quando pedem uma intervenção do Governo no seu caso.

O protesto é organizado pela Associação dos Lesados do Banif (ALBOA), que representa cerca de 3.500 obrigacionistas subordinados do banco que perderam 263 milhões de euros no processo de resolução e venda do banco, bem como 4.000 obrigacionistas Rentipar ('holding' através da qual as filhas do fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a participação no banco), que investiram 65 milhões de euros, e ainda 40 mil acionistas.

"O objetivo consiste em manifestarmos publicamente a nossa total indignação pela tremenda injustiça que contra nós foi cometida e que está a afetar severamente a vida de todos os lesados do Banif", disse este mês à Lusa Jaime Alves, representante da Associação dos Lesados do Banif (ALBOA), que organiza o protesto.

Para estes clientes e investidores do Banif, o resgate ao banco foi precipitado e isso prova-se por os seus ativos estarem "a dar lucro ao Santander Totta", a quem consideram que o banco foi oferecido "de bandeja".

O protesto servirá ainda para os clientes criticarem a proposta apresentada pelo Santander aos detentores de obrigações subordinadas do Banif, que ficaram no 'banco mau', e que seria uma forma de os clientes que perderam dinheiro com dívida do Banif recuperarem parte do investimento.

Os clientes dizem que "repudiam" essa proposta, uma vez que passa pela aquisição de obrigações subordinadas (menos protegidas) do Santander Totta com um prazo de vigência de dez anos, a uma taxa anual bruta de 7%, com juros não capitalizáveis.

A manifestação tem ponto de encontro marcado na Praça do Comércio, pelas 11h30, e seguirá depois para as instalações do Banco de Portugal e do banco Santander Totta.

Esta é a primeira manifestação dos lesados do Banif a nível nacional, uma vez que as anteriores ocorreram nas ilhas dos Açores e da Madeira.

A 20 de dezembro do ano passado, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif com a venda da atividade bancária ao Santander Totta por 150 milhões de euros e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não quis comprar.

Continua a existir ainda o Banif, agora 'banco mau', onde ficaram os acionistas e os obrigacionistas subordinados, que provavelmente nunca receberão o dinheiro investido.

Além de vários protestos para dar a conhecer a sua indignação com o que se passou no Banif, a ALBOA anunciou este mês que vai avançar com uma ação judicial contra a TVI, que avançou em dezembro de 2015 com a notícia do encerramento do banco.

Lusa