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Suspensa negociação das ações do BPI

(Arquivo)

© Rafael Marchante / Reuters

A negociação das ações do BPI está suspensa até que o banco preste informações ao regulador do mercado, anunciou hoje a Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários.

"O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários, a suspensão da negociação das ações do Banco BPI, S.A., até à divulgação de informação relevante sobre o emitente", refere um comunicado divulgado esta manhã.

A suspensão da negociação das ações acontece no dia em que os acionistas do BPI se voltam a reunir, no Porto, para discutir o fim da regra dos estatutos do banco que impede um acionista de votar com mais de 20%, independentemente da sua participação social - o que impossibilita o espanhol CaixaBank de fazer uso da totalidade dos seus 45% de participação social.

Esta é a terceira convocatória para a assembleia-geral depois das suspensões dos encontros de julho e do início de setembro, devido a providências cautelares colocadas pela 'holding' Violas Ferreira, o maior acionista português do BPI, com 2,67%.

Estas ações judiciais fizeram com que, nos últimos dois meses, o banco tivesse imergido num imbróglio jurídico, que impediu os acionistas de tomarem decisões e criou muita incerteza sobre o futuro.

Na terça-feira, a administração do BPI fez uma nova proposta aos parceiros angolanos que poderá abrir caminho ao fim da limitação dos votos e ao sucesso da OPA do CaixaBank.

O BPI propôs à Unitel a venda de 2% do capital do Banco de Fomento Angola (BFA), permitindo que a operadora angolana passe a ser a maior acionista, após aprovada a desblindagem dos estatutos do banco português.

A proposta foi formalizada numa carta enviada na terça-feira pelo BPI à Unitel, disponibilizada através da página na Internet da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), implicando que a operadora controlada pela empresária Isabel dos Santos pague 28 milhões de euros pelas 26.111 ações do BFA (correspondentes a 2% do capital social do banco angolano).

Atualmente, o BPI detém 50,1% do capital do BFA, enquanto a Unitel é dona de 49,9%, e o objetivo desta operação é resolver a situação de ultrapassagem do limite dos grandes riscos impostos pelo Banco Central Europeu (BCE) relativamente à exposição do banco português a Angola.

O banco português condiciona, contudo, este negócio à aceitação por parte da Santoro, 'holding' angolana controlada por Isabel dos Santos que é a segunda maior acionista do BPI, da eliminação da limitação estatutária à contagem de votos na instituição liderada por Fernando Ulrich.

A desblindagem dos estatutos do BPI é uma das condições impostas pelos catalães do La Caixa na Oferta Pública de Aquisição (OPA) que lançaram sobre o banco português.

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