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Ambientalistas acusam fabricantes de automóveis de falsearem valores de consumo

Um relatório da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente indica que os automóveis gastam em média mais 42% de combustível do que é anunciado pelos fabricantes, nomeadamente a Mercedes Benz.

O estudo "Mind the Gap", da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente, organização que integra a associação ambientalista portuguesa Quercus, conclui que a diferença entre o consumo real e o consumo anunciado pelos fabricantes é cada vez maior.

"A diferença entre os resultados (sobre consumo e emissões de CO2) dos testes de laboratório oficiais e o desempenho real dos carros tem vindo a crescer: aumentou de nove por cento em 2001 para 28 por cento em 2012 e 42 por cento em 2015", conclui o estudo que foi hoje divulgado pela rádio TSF e colocado na página da federação.

"Este relatório analisa as diferenças entre os testes de laboratório e os dados reais respeitantes às emissões de CO2, assim como os níveis de consumo dos carros", explica a organização, para quem o estudo demonstra que o sistema "falhou totalmente".

"Os novos veículos não são tão eficientes como os fabricantes afirmam: em estrada, os progressos sobre redução de emissões estão efetivamente parados há quatro anos. Os fabricantes são os responsáveis pelo problema ao usarem lacunas do sistema e, supostamente, em alguns casos, usam ilegalmente material de teste defeituoso", acusa a federação.

A organização indica também que os resultados "distorcidos" divulgados pelas marcas são "enganosos" para os condutores que não conseguem economizar a mesma quantidade de combustível que é anunciada pelos fabricantes.

Na realidade, sublinha o relatório, em média, os gastos anuais por cada condutor são de mais 549 euros relativamente ao que é prometido pelos fabricantes após a realização de testes oficiais.

Apesar de o relatório detetar irregularidades em todas as marcas, a Mercedes Benz está no topo da lista dos fabricantes com a maior diferença (cerca 50 por cento) entre o consumo de combustível real em estrada e o consumo anunciado com base em testes de laboratório.

No relatório, os ambientalistas defendem a necessidade de uma fiscalização, sendo que, no caso da Mercedes, recomendam uma investigação por parte da União Europeia e pela German Type Approval Authority, na Alemanha.

Lusa

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