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Governo colombiano pediu informações aos EUA sobre subornos da Odebrecht

O Governo da Colômbia solicitou aos EUA toda a informação que liga funcionários e contratos do país a subornos da empresa brasileira Odebrecht, depois de o Departamento de Justiça norte-americano ter revelado casos de corrupção em 12 países.

"Logo que a informação foi conhecida, a Presidência da República contactou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para oferecer a sua colaboração e solicitar toda a informação que envolve funcionários e/ou contratos na Colômbia", lê-se num comunicado oficial.

Documentos divulgados na quarta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que a Odebrecht pagou cerca de 788 milhões de dólares (755 milhões de euros) de subornos em 12 países.

Os pagamentos estão relacionados com "mais de 100 projetos em 12 países, incluindo Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela", segundo a informação divulgada pelos norte-americanos.

Os documentos dos EUA foram conhecidos depois de ser anunciado um acordo judicial em que a empresa se comprometeu a pagar multas de 2.047 milhões de dólares aos governos dos EUA, Brasil e Suíça, para compensar os atos ilícitos em que esteve sob investigação nestes países.

O Governo colombiano também pediu a intervenção da Procuradoria-Geral e "reiterou-lhe que conta com o apoio e colaboração do executivo para esclarecer esta situação inaceitável e identificar todos os responsáveis".

Na informação publicada pelo Departamento de Justiça "refere-se especificamente que entre 2009 e 2010 foram pagos 6,5 milhões de dólares (6,2 milhões de euros) a um funcionário na Colômbia", sublinha o executivo da Colômbia, no mesmo comunicado.

"Durante esse período só há um contrato entre a Odebrecht e o Governo Nacional", acrescenta, indicando que foi adjudicado em dezembro de 2009 pelo desaparecido Instituto Nacional de Concessões (INCO).

A Presidência diz que a Odebrecht já tinha dois contratos com o Governo, um deles de 2012 para construir uma estrada, obra que "foi terminada com satisfação".

O outro contrato era para a navegabilidade do rio Magdalena, adjudicado em agosto de 2014.

O Governo explica que há um ano, quando veio a público o escândalo de corrupção da Odebrecht no Brasil, o Gabinete de Transparência da Presidência pediu à procuradoria-geral brasileira toda a informação pertinente.

"A resposta não revelou o pagamento de nenhum suborno na Colômbia nem a prática de crime", disse a Presidência, informando que quaisquer contratos serão cancelados se for estabelecida alguma irregularidade.

"O Governo Nacional solicitou à Procuradoria-Geral da Nação que dê seguimento à investigação o mais rápido possível para identificar todos os responsáveis", concluiu o comunicado, que acrescenta que o executivo é o principal interessado em ir "ao fundo" da questão e levar as investigações até às suas últimas consequências".

Também o Ministério Público panamiano informou na quarta-feira que vai pedir informação aos EUA depois de o Departamento de Justiça norte-americano ter divulgado que a construtora brasileira Odebrecht pagou subornos em 12 países, incluindo o Panamá.

Lusa

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