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Riscos políticos são crescentes na Europa, alerta Moody's

A Moody's alerta para o aumento dos riscos políticos na Europa, que podem implicar mudanças nas políticas, uma situação que em Portugal e na Itália é agravada pela fragilidade dos sistemas bancários.

Numa conferência organizada hoje em Lisboa, o analista Dietmar Hornung, da agência de notação financeira Moody's (que coloca Portugal num grau considerado especulativo, de 'lixo'), indica que, no geral, os 'ratings' atribuídos à dívida dos países estão estabilizados mas alerta que "os riscos políticos estão a subir".

A questão é saber se as várias eleições previstas para alguns países na Europa, nomeadamente França, Espanha, Itália, Alemanha, Holanda, Grécia e Portugal, vão ou não traduzir-se numa mudança da orientação política, afirmando a Moody's que atualmente o risco político "é baixo", mas "está a subir".

Quanto a uma possível "fragmentação" a nível europeu, a Moody's antecipa que haja uma certa "paralisação das políticas", tendo em conta o calendário eleitoral preenchido, e diz não esperar "muitos movimentos em termos de políticas de crescimento e de reformas estruturais", segundo o analista.

Dos 28 países da União Europeia, a Moody's tem em perspetiva negativa (o que pode levar a um corte do 'rating' atribuído no médio prazo) apenas quatro (Reino Unido, Polónia, Itália e Croácia) e três com perspetivas positivas (Irlanda, Eslovénia e Chipre), estando os restantes com perspetiva estável.

Sublinhando que a União Europeia é "um projeto inacabado" porque "tem uma união monetária, mas não uma união orçamental", Dietmar Hornung afirma que "é improvável que 2017 seja um ano de progressos na integração europeia".

"Se tivéssemos políticos do tipo Trump [Presidente dos Estados Unidos da América] na Europa, então haveria um risco significativo de desintegração da Europa, mas, para já, é um projeto inacabado", acrescentou o analista alemão.

Em Portugal e em Itália, "a fragilidade do setor bancário" coloca desafios macroeconómicos adicionais, em particular devido à "melhoria modesta" da capitalização dos bancos e à "persistência das dificuldades na qualidade dos ativos" das instituições financeiras dos dois países.

Em setembro, o crédito malparado de Portugal era de cerca de 12% quando no final de 2012 estava abaixo dos 10% e, em Itália, a proporção de créditos em incumprimento também aumentou, passando dos 14% em 2012 para os 16% em setembro de 2016.

Por oposição, em países como Espanha, Irlanda e Alemanha, este indicador melhorou entre 2012 e 2016: na Irlanda, por exemplo, passou dos 25% para os 15% do total de crédito concedido.

Mas Dietmar Hornung relativizou esta questão: "a boa notícia é que os desenvolvimentos da banca não estão a ditar os 'ratings' soberanos na Europa", afirmou, referindo-se às "melhorias na regulação" e também aos "progressos feitos na capitalização".

Lusa

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