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Juros de 4% são aceitáveis, diz presidente da agência que gere dívida pública

Cristina Casalinho, presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública

A presidente da agência que gere a dívida pública defende hoje, numa entrevista ao jornal Público, que as taxas de juro de 4% na dívida portuguesa "são aceitáveis" e que o mais importante é gerir o risco de refinanciamento.

"Se continuar a ter superavits primários como aconteceu em 2016 e que espero volte a acontecer este ano, se tudo continuar a evoluir nesse sentido, taxas de 4% são aceitáveis", afirma Cristina Casalinho.


Para a presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (nova designação do ICGP - Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público), Portugal só teve taxas muito longe dos 4% no pico da crise, em 2011, quando estava fora do mercado.

"Taxas de juro em torno dos 4,2% são taxas historicamente normais. O que significa que, se temos taxas médias em torno dos 4,2%, em princípio poderemos até ter taxas de financiamento mais altas", afirma.
A responsável assume ainda que Portugal quer autorização para amortizar mais dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo escreve o Público, para cumprirem o seu plano de pagar em 2018 mais de 3,5 mil milhões de euros do empréstimo do FMI, as autoridades portuguesas vão ter de pedir aos seus parceiros europeus uma nova autorização para amortizarem antecipadamente a dívida, uma intenção que -- assume Cristina Casalinho -- "está já a ser sinalizada".
Cristina Casalinho explica que o Tesouro português prevê antecipar apenas 1,7 mil milhões de euros da dívida ao FMI durante este ano porque esse é, neste momento, o valor máximo que está autorizado a movimentar, tendo que o fazer durante os próximos cinco meses.


"Em 2015, quando começámos os pagamentos, foi-nos dada uma autorização não só pelo Eurogrupo, mas também a 28, pela União Europeia. Essa autorização permitia pagar 14,6 mil milhões, ou seja, metade do total. E o que falta pagar [ao FMI] é exatamente 1,7 mil milhões, que tem de ser pago até ao final de julho deste ano", afirma.

A responsável deixa, contudo, claro que gostaria de poder amortizar mais a dívida ao FMI.

Mesmo num cenário em que as taxas de juro a que Portugal se financia nos mercados a dez anos superam os 4%, a presidente da agência que gere a dívida pública diz que "faz sentido" antecipar pagamentos ao FMI, já que as taxas de juro praticadas pelo Fundo Monetário Internacional (acima dos 4%) são mais elevadas.


"Os títulos que estamos a reembolsar ao FMI são a dez anos", assinala, lembrando que nesses prazos as taxas no mercado são bastante mais baixas.

Lusa

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