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Buraco de 107 milhões na Mutualista Montepio Geral

(Arquivo)

© Rafael Marchante / Reuters

A auditora KPMG alerta para um buraco de 107 milhões de euros na Associação Mutualista Montepio Geral, que hoje reúne em Conselho Geral para debater as contas individuais da associação de 2016 e as contas consolidadas relativas a 2015, que deveriam ter sido divulgadas no ano passado.

De acordo com o jornal Público, a consultora KPMG deixa um forte alerta aos mutualistas para um quadro crítico de aparente falência técnica, com necessidade de recapitalização. A auditora diz ainda que a Associação tem capitais próprios negativos, por causa do banco montepio e da seguradora do grupo que contaminaram as contas da mutualista.

Números das contas consolidadas de 2015 que foram distribuídos na semana passada aos membros do conselho-geral da associação que reúne hoje.

A convocatória, a que a Lusa teve acesso, tem 5 pontos na ordem de trabalhos, entre os quais a apreciação das contas individuais (relatório do Conselho de Administração e parecer do Conselho Fiscal) da associação mutualista relativas ao exercício de 2016 e a apreciação das contas consolidadas de 2015.

Quanto às contas individuais, apresentadas em março de 2016, a associação mutualista apresentou prejuízos de 393,1 milhões de euros.

Apesar do resultado operacional ter sido positivo em 36,4 milhões de euros (abaixo dos 64,7 milhões de 2014), a associação teve de constituir imparidades para fazer face a eventuais perdas com a Caixa Económica Montepio Geral (350 milhões) e o Montepio Seguros (63,2 milhões), suas participadas, o que levou a prejuízos de 393 milhões de euros.

As contas consolidadas permitem perceber melhor a realidade do grupo Montepio, uma vez que integra os resultados apenas da associação mutualista, mas também das suas dezenas de empresas participadas.

A principal empresa participada do grupo é a Caixa Económica Montepio Geral, que desenvolve o negócio bancário e que teve prejuízos de 243,4 milhões de euros em 2015, acima dos cerca de 187 milhões de euros 2014.

Ainda não foram divulgados os resultados de 2016. Para já, é conhecido que até setembro passado teve um prejuízo de 67,5 milhões de euros, tendo o banco mutualista justificado este resultado com os "impactos específicos ocorridos no primeiro semestre relacionados com os custos com o processo de redimensionamento da estrutura operativa, com as contribuições sobre o setor bancário para o Fundo Único de Resolução e para o Fundo de Resolução Nacional e com perdas em investimentos financeiros".

Já apenas no 3º trimestre, a instituição apresentou um lucro de 144 mil euros. Este fim de semana, o Expresso noticiou um relatório do Banco de Portugal relativo à CEMG em 2016, no qual os técnicos concluem que a entidade apresenta "um perfil de risco de nível elevado", que as exposições estratégicas "não garantem uma gestão sólida" e fala ainda numa "consistente degradação da qualidade da carteira dos clientes".

O semanário refere ainda que para os lucros de 144 mil euros apresentados no terceiro trimestre "terá pesado, de forma indiscutível, a venda de uma participação de 19% na empresa mineira Almina, por 93 milhões de euros e com uma mais-valia de 24 milhões".

A compra foi feita por um "veículo financeiro, designado Vogais Dinâmicas, com sede em Oliveira dos Frades, e constituído no dia 29 de setembro de 2016". Contudo, a operação foi posteriormente anulada.

Em reação à notícia do Expresso, a CEMG afirmou que "adota as melhores práticas" exigidas pelos reguladores e supervisores e que tem executado todas as recomendações para melhorar os seus procedimentos.

A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) é liderada por Félix Morgado, que substituiu Tomás Correia em agosto de 2015, ficando este apenas como presidente da Associação Mutualista Montepio Geral.

Com Lusa

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