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FMI alerta que peso da dívida privada e incerteza política podem pesar nas contas públicas

© Yuri Gripas / Reuters

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que o elevado peso da dívida das empresas e famílias, a incerteza política nos Estados Unidos e decorrente de algumas eleições na zona euro podem prejudicar as contas públicas nesses países.

No 'Fiscal Monitor', um relatório com as previsões orçamentais para vários países do mundo divulgado esta quarta-feira, o FMI estima que o défice orçamental das economias desenvolvidas represente, em média, 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e até 2022, e que na zona euro represente 1,5% em 2017, descendo até 0,3% no final do período analisado.

O Fundo, no documento que é coordenado pelo antigo ministro das Finanças Vítor Gaspar (agora diretor no FMI), alerta que as contas públicas "continuam vulneráveis a um número alargado de riscos", que vão da elevada dívida das empresas não financeiras e das famílias à incerteza política nos Estados Unidos e em alguns países na zona euro.

"A dívida global do setor não financeiro está no nível mais elevado de sempre, dois terços dos quais consistem em responsabilidades do setor privado", afirma o FMI.

Outros riscos são um abrandamento do crescimento económico, condições de financiamento menos favoráveis e a materialização de perdas que ainda estão por assumir.

O FMI destaca também a incerteza na política orçamental, que ao ter "atingido o valor mais elevado da década", cria "riscos consideráveis" para as contas públicas.

"Atualmente, a principal fonte de incerteza é a falta de especificidade sobre o futuro das políticas dos Estados Unidos, incluindo o tamanho e composição dos estímulos orçamentais", considera o FMI, acrescentando que na zona euro, um número de eleições que se aproximam -- em França, na Alemanha e na Itália (depois do referendo de dezembro) -- "que podem redefinir a política orçamental".

No geral, resume o FMI, os riscos são elevados, "o que sublinha a importância dos países em desenvolverem uma melhor compreensão da sua exposição orçamental", defendendo, por isso, o uso de "políticas orçamentais inteligentes".

Nesse sentido, defende que a política orçamental deve ser contra cíclica, para suavizar o ciclo económico: "Em momentos negativos, os impostos devem ser reduzidos e a despesa aumentada para colocar mais dinheiro nos bolsos das empresas e dos consumidores; em termos positivos, a despesa é reduzida e os impostos aumentados".

"A política orçamental tem hoje um papel mais relevante na estabilização económica do que tinha no passado, porque os bancos centrais em vários países desenvolvidos reduziram as taxas de juro para valores próximos de zero e os limites da política monetária estão a ser testados", afirma.

O FMI defende também que a "política orçamental deve ser amiga do crescimento", considerando que medidas fiscais e de despesa "podem ser usadas para apoiar três motores do crescimento económico no longo prazo: capital, trabalho e produtividade".

O Fundo sugere também que a política orçamental seja prudente, promova a inclusão e que deve ser suportada por uma "forte capacidade tributária".

"Os governos precisam de uma capacidade forte para tributar, de modo a avançar com as políticas que defendemos. A tributação providencia uma fonte estável e ajustável de receita que pode ser mobilizada se necessário", conclui o FMI.

Lusa

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