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Antigo e atuais patrões da Volkswagen na mira da justiça alemã

AP, Michael Sohn

O Ministério Público de Estugarda, na Alemanha, abriu em fevereiro um inquérito por manipulação de informação no âmbito do processo designado 'dieselgate' visando a direção da Porsche, que inclui o atual patrão do grupo Volkswagen.

Além de Matthias Muller, que assumiu os comandos do grupo Volkswagen depois da revelação da burla do construtor alemão em milhões de motores 'diesel', também são visados neste inquérito o então presidente Martin Winterkorn e o atual presidente do conselho de supervisão do construtor, Hans-Dieter Pötsch.

O Ministério Público de Estugarda é competente para os inquéritos respeitantes à Porsche SE, 'holding' controlada pelas famílias herdeiras de Ferdinand Porsche.

A estrutura, cotada na bolsa de Frankfurt, detém cerca de 52% dos direitos de voto do número um mundial dos construtores automóveis.

Hans-Dieter Pötsch, diretor financeiro da Volkswagen no momento das revelações da manipulação das emissões poluentes e que se tornou depois presidente do conselho de supervisão do grupo, está envolvido neste inquérito na qualidade de presidente da direção da Porsche SE.

Potsch substituiu neste cargo Martin Winterkorn, que tinha deixado a liderança da Volkswagen a M. Müller em setembro de 2015 assegurando não saber nada sobre a instalação de um aparelho fraudulento em 11 milhões de veículos em todo o mundo para fingir que eram menos poluentes do que eram na realidade.

As revelações chocaram o mundo e mergulharam o grupo alemão numa crise sem precedentes, da qual apesar de tudo a Volkswagen está a sair depois de perdas históricas em 2015.

O grupo, proprietário de 12 marcas, designadamente a Audi, Porsche e Seat, foi forçada a colocar de parte 22,6 mil milhões de euros para enfrentar custos e os acordos para satisfazer as autoridades, os clientes e os concessionários nos Estados Unidos.

O grupo também foi processado por um agrupamento de investidores na Alemanha que reclama milhares de milhões de euros de compensações por ter comunicado demasiado tarde o escândalo.

As cotações das ações da Volkswagen caíram na sequência do 'dieselgate', gerando importantes perdas aos investidores. Também por isso Pötsch e Winterkorn já são visados noutro inquérito por manipulação de informação ao mercado conduzido pelo ministério público de Brunswick (norte da Alemanha).

Mas é a primeira vez que Matthias Müller aparece num inquérito por manipulação de cotações no âmbito do 'dieselgate'.

Num comunicado, a Porsche considerou que as acusações carecem de fundamentos e mostrou-se convicta de que a empresa cumpriu devidamente com as obrigações de informação aos mercados.

Lusa