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BCE defende estratégia europeia coordenada para crédito malparado

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Vítor Constâncio, considera que é necessária "uma estratégia europeia coordenada para o crédito malparado", cujo rácio médio é de 6% na zona euro, no total quase um bilião de euros.

Num artigo de opinião publicado em vários jornais europeus, incluindo o português Jornal de Negócios, Constâncio indica que o BCE deu orientações precisas às entidades que supervisiona diretamente.

"Mas a atividade de supervisão não é suficiente por si só. O setor privado e as autoridades nacionais e europeias também têm um papel a desempenhar", segundo o vice-presidente do BCE.

Constâncio sublinha que é "necessária uma resposta de política" europeia e nacional que combine instrumentos adequados para abordar os empréstimos duvidosos na Europa.

"Os procedimentos judiciais para reclamar uma simples dívida podem prolongar-se em excesso e ter custos demasiado elevados em muitos países da zona euro", critica Constâncio.

Constâncio mostra-se otimista face às "sociedades nacionais de gestão de ativos" porque, quando desenhadas corretamente, aliviaram a carga do crédito malparado e recuperaram o valor dos ativos.

Dispor de um guia para constituir sociedade nacionais de gestão de ativos pouparia tempo e dinheiro às autoridades, sublinha o vice-presidente do BCE.

Este plano deveria clarificar em pormenor o papel destas sociedades no marco jurídico da União Europeia (UE), identificar as classes de ativos admissíveis, os requisitos de participação, a avaliação dos ativos, as estruturas de capital e financiamento, e a governança.

Constâncio adianta que os programas de titularização também podem ativar o mercado secundário de crédito malparado, se bem que as autoridades públicas deveriam intervir e transmitir claramente a determinação dos governos de adotar reformas estruturais que melhorem a valorização dos ativos.

O responsável do BCE também põe a possibilidade de se criarem plataformas de negociação ou câmaras de compensação de ativos duvidosos, incluindo, a nível da zona euro, para melhorar a transparência destes ativos e estimular a negociação.

Para que sejam um êxito, estas opções requerem que se avance consideravelmente nas reformas estruturais dos procedimentos de execução de dívidas e a redução da assimetria de informação.

"Se estas medidas resultarem credíveis, os investidores reconhecerão a mudança na política e mostrar-se-ão dispostos a pagar mais pelos ativos problemáticos, segundo Constâncio.

Lusa

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