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Trabalhadores da PT em Coimbra manifestam-se na defesa da empresa e "interesse nacional"

(arquivo)

Trabalhadores da PT manifestaram-se hoje em Coimbra, na defesa do "interesse nacional" e da empresa "ao serviço dos portugueses", dos seus postos de trabalho e contra a atual gestão da empresa.

Concentrados junto ao edifício principal da PT em Coimbra, ao final da manhã de hoje, por iniciativa da comissão de trabalhadores e dos sindicatos, os trabalhadores manifestaram-se, "unidos numa frente comum", na defesa "do interesse nacional, na defesa do País, na defesa da PT ao serviço dos portugueses, na defesa dos trabalhadores, na defesa dos postos de trabalho", disse aos jornalistas Francisco Gonçalves da Comissão de Trabalhadores (CT).

"Esta luta é para defender os trabalhadores que estão sem funções, os trabalhadores que têm funções que não lhe ocupam o dia todo, que estão a ser encostados" e "subaproveitados" e "os que estão as ser empurrados para outras empresas", sublinhou.

A transferência de empregados da PT para outras firmas está a processar-se "através de uma utilização abusiva e fraudulenta do conceito da transmissão de estabelecimento", no âmbito da qual esses trabalhadores "vão para fora do universo PT, sem os direitos, sem os planos de saúde e [sem] todo o modelo social que nós ajudamos a construir", sustentou Francisco Gonçalves.

"Estamos a lutar por esses trabalhadores", mas também por todos os outras que "ainda não estão nessa situação", mas "estão deveras preocupados" com as transferências de funcionários.
"Se esses movimentos continuarem, a precarização na PT vai ser geral para os [seus] 9.400 trabalhadores", alertou Francisco Gonçalves, considerando que, "acima de tudo", esta é uma luta "pelos trabalhadores portugueses".

Quando uma empresa com a dimensão da PT tem "esta política de gestão", contrária aos trabalhadores e aos interesses" dos seus empregos, que "sinal estamos a dar ao país, que modelo social, em termos laborais, aceitamos para o nosso país?", questionou.

Sobre a reunião que representantes dos trabalhadores com o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, agendada para dia 20, véspera da programada greve e manifestação, em Lisboa, dos trabalhadores da PT, Francisco Gonçalves disse não estar satisfeito com "o patamar de intervenção" que o Governo "demonstrou", designadamente no anterior encontro com aquele governante.

"No seguimento das palavras do primeiro-ministro", António Costa, que, na quarta-feira, dia 12, na Assembleia da República, "disse que estava preocupado com a PT e com o seu futuro e com postos de trabalho e que não queria que a PT fosse uma nova Cimpor", o Governo "tem de dizer o que está disposto a fazer para que isso não aconteça", salientou Francisco Gonçalves.

"Somos a melhor empresa de telecomunicações", com "os melhores trabalhadores" desta área, que não pode ser "posta em causa" por "uma administração, através de medidas incorretas", concluiu.

A PT possui atualmente cerca de 9.400 trabalhadores no ativo, dos quais 118 foram ou estão em fase de transferência para outras empresas, e tem cerca de 3.500 em situação de pré-reforma ou com "suspensão de contrato" disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom, Jorge Félix, à agência Lusa, recordando que quando a Altice adquiriu a PT, em junho de 2015, estavam no ativo "mais de 11 mil trabalhadores" e cerca de 6.500 em pré-reforma ou suspensão de contrato.

No edifício central da PT em Coimbra, trabalham cerca de duas centenas e meia de pessoas e no 'call center' cerca de 1.200, estas "todas precárias".

A PT é o maior empregador privado da cidade, destacou Francisco Queirós, vereador da Câmara de Coimbra, eleito pela CDU, que, "solidário", esteve com os manifestantes, referindo que vai alertar a autarquia para também ela se preocupar com o futuro da empresa, de grande importância para o país, mas também para cidade, o concelho e a região.

A Altice anunciou hoje que chegou a acordo com a Prisa para a compra da Media Capital, dona da TVI.

Lusa

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