Economia

Maior conflito laboral de sempre na Autoeuropa sem fim à vista

Jose Manuel Ribeiro

A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa e a administração da empresa regressam hoje à mesa das negociações sobre os novos horários de trabalho, na esperança de alcançarem um acordo que garanta a paz social na fábrica de automóveis de Palmela.

O diferendo sobre os novos horários, que já vem do ano passado, esteve na origem da primeira greve por motivos laborais na fábrica de Palmela e provocou a queda da anterior Comissão de Trabalhadores, devido à rejeição de um pré-acordo que tinha sido negociado com a administração da fábrica.

A nova Comissão de Trabalhadores liderada por Fernando Gonçalves, que, entretanto, foi eleita, negociou um segundo pré-acordo, mas os trabalhadores voltaram a rejeitar a proposta por larga maioria, o que levou a administração da fábrica a avançar, unilateralmente, com um horário transitório que deverá vigorar de fevereiro a julho deste ano.

Face à boa aceitação do novo veículo T-Roc produzido na fábrica da Volkswagen em Palmela, que só este ano deverá ter uma produção de 240 mil unidades, a administração da Autoeuropa entende que é necessário mais um sexto dia de produção em cada semana, mas os trabalhadores contestam a obrigatoriedade de trabalharem ao sábado.

A remuneração dos sábados também é motivo de polémica entre as partes. A administração garante que vai pagar os sábados como trabalho extraordinário, mas os sindicatos afetos à CGTP disseram, na quarta-feira, em conferência de imprensa, que a Autoeuropa quer fazer o pagamento dos sábados como um dia normal de trabalho.

Em comunicado dirigido aos trabalhadores da Autoeuropa no passado mês de dezembro, na sequência da rejeição dos dois pré-acordos laborais, a administração da fábrica anunciou a intenção de avançar com um horário de produção de 17 turnos semanais, distribuídos por seis dias.

Na referida comunicação a empresa prometia também pagar os sábados a 100%, acrescidos de mais 25% caso fossem cumpridos os objetivos de produção trimestrais.

Apesar de várias reuniões já realizadas entre as partes, a administração e trabalhadores ainda não chegaram a uma solução que permita colocar um ponto final naquele que já é o maior conflito laboral de sempre na fábrica de automóveis de Palmela, mas as negociações entre as partes prosseguem esta quinta-feira.

Para além dos cerca de 5.000 trabalhadores da Autoeuropa, há mais três mil que pertencem a outras fábricas do parque industrial da Autoeuropa, que dependem da fábrica de Palmela, tal como muitos outros trabalhadores de diversas unidades industriais que têm como principal cliente a fábrica de automóveis de Palmela.

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