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Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos em França decidem continuar greve

© Rafael Marchante / Reuters

Uma assembleia de trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em França votou esta quarta-feira a continuação da greve iniciada na terça-feira, disse a porta-voz da intersindical FO-CFTC, Cristina Semblano à Lusa.

A representante sindical indicou que, hoje, a adesão à greve foi de "63% em relação ao pessoal presente na instituição" porque se está num período de férias escolares, que 16 agências estiveram fechadas e "16 ficaram impactadas com um sub-efetivo".

A CGD tem 48 agências em França. Para sexta-feira está prevista uma reunião, em Paris, entre os sindicatos e o membro do Conselho de Administração da CGD, José João Guilherme, um encontro esperado também pelos sindicatos CGT e CFDT que até agora não se associaram à greve e que aguardam pelas negociações.

Na terça-feira, fonte oficial da CGD, em Portugal, disse à Lusa que o banco "continua em diálogo" com os trabalhadores. Na passada quinta-feira foi votada uma "greve ilimitada" a partir desta quarta-feira, um movimento apoiado pelos sindicatos Force Ouvrière e CFTC que querem respostas sobre o futuro da CGD em França, onde há mais de 500 trabalhadores.

"Até agora têm-nos mentido e precisamos de saber. A sucursal está prevista para a venda, queremos saber o que se vai passar em relação aos trabalhadores e em relação à imensa comunidade portuguesa que vive em França", afirmou Cristina Semblano.

A porta-voz sindical sublinhou, também, que há reivindicações salariais, nomeadamente no que toca a "atrasos nos aumentos salariais por mérito e carreiras desde 2016", e "disfuncionamentos da sucursal com impactos na saúde física e mental dos trabalhadores".

"É também necessário que algo seja feito em relação às condições de trabalho. Temos aqui condições de trabalho absolutamente execráveis. As pessoas já não aguentam mais. Temos imensas baixas, muito pessoal com 'burnout' - distúrbio psíquico de caráter depressivo - , pessoas que se queixam de assédio.

Nós não podemos continuar com estas condições de trabalho", acrescentou. O presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, disse em março, no parlamento, que a administração irá "lutar" para manter a operação do banco público em França, considerando que isso é "do interesse da Caixa, em resposta ao Bloco de Esquerda.

A intenção de a CGD sair de França foi noticiada em maio do ano passado. Fonte oficial do banco público disse, então, apenas que naquele momento não estava "em curso, em França, um processo de redimensionamento de balcões ou um processo de venda da operação".

A redução da operação da CGD, incluindo fora de Portugal, foi acordada com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público feita em 2017. A Caixa Geral de Depósitos regressou aos lucros em 2017, com 51,9 milhões de euros positivos, depois de vários anos de prejuízos.

A sucursal de França contribuiu, em 2017, com 49,6 milhões de euros para o resultado líquido corrente da CGD.Em 2017, a CGD encerrou as sucursais de Londres, ilhas Caimão, Macau Offshore e Zhuhai (na China), segundo informação do banco.

Além de em França, o banco público tem, no exterior, o BNU Macau.O banco tem ainda operações na África do Sul (banco Mercantile), Brasil (Banco Caixa Geral -- Brasil) e Espanha (banco Caixa Geral), que estão em vias de alienação.As prioridades do banco para já são as vendas das operações no Brasil e em Espanha.

No início de março foi conhecido que mais de 15 entidades pediram informação adicional sobre a compra da filial em Espanha da CGD, entre elas o BCP e a Lone Star.

Já na semana passada, o jornal espanhol El Confidencial noticiou que o fundo norte-americano Lone Star (dono em Portugal do Novo Banco) está sozinho na corrida à compra da operação em Espanha, depois da retirada do Liberbank, isto apesar de o banco espanhol Abanca (que comprou a operação em Portugal do Deutsche Bank) ter dito há duas semanas que estava interessado.

Lusa

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