Governo vai pedir em março a Bruxelas mecanismos europeus de ajuda aos agricultores

24.02.2012 22:59

 

O primeiro relatório sobre os prejuízos da seca  será conhecido na próxima semana, disse hoje a ministra da Agricultura,  que, no final de março, vai pedir a Bruxelas a "hipótese" de acionar mecanismos  europeus de apoio aos agricultores afetados. 

O Governo está a "sinalizar" a situação da seca em Portugal "junto de  Bruxelas", onde, "mais para o final de março", se reunirá o Conselho de  Agricultura, no qual o Executivo vai "falar" sobre o assunto e "pedir já  a hipótese de acionar mecanismos europeus, nomeadamente para antecipar ajudas"  aos agricultores, disse Assunção Cristas. 

Segundo a ministra, a 'task force' criada pelo Ministério da Agricultura  para avaliar a situação da seca em Portugal está "a trabalhar intensamente  para fazer o levantamento de tudo o que são os prejuízos já existentes e  aqueles que previsivelmente ocorrerão". 

"Para a semana", adiantou, a 'task force' vai apresentar o primeiro  relatório com o "retrato" dos prejuízos da seca em Portugal e "reunir com  as organizações de agricultores para também trocar impressões com todos  e já com o panorama do país mais explicado". 

A ministra explicou ainda que o Governo precisa de "ter dados muito  concretos" sobre os prejuízos causados pela seca, porque "não podemos simplesmente  dizer a Bruxelas: não chove e temos prejuízos". 

"Temos que dizer onde é que eles estão, quais são em concreto e é esse  trabalho de colher toda a informação objetiva e fidedigna que estamos a  fazer", sublinhou. 

Assunção Cristas revelou também que o Governo já pediu para "inscrever"  a "explicação e a informação" sobre a situação da seca em Portugal nos "pontos  de agenda" da próxima reunião do Conselho de Ambiente, que vai decorrer  no dia 09 de março em Bruxelas, ou seja, ainda antes do Conselho de Agricultura.

A ministra falava aos jornalistas no concelho de Serpa, no Baixo Alentejo,  após ter efetuado a ligação de uma taberna à rede elétrica nacional, no  âmbito do projeto de eletrificação rural da Serra de Serpa. 

Questionada sobre se o Governo admite decretar o estado de calamidade  pública, a ministra disse que o Executivo precisa de "mais tempo", porque  "é possível que chova e, se entretanto chover, as coisas podem-se alterar".

"A nossa preocupação é "ter a 'task force' a acompanhar e a monitorizar  constantemente  1/8a situação 3/8 e a fazer o levantamento do que já são os prejuízos  existentes e daqueles que podem ocorrer se a situação se mantiver, para  podermos em Bruxelas dar a informação fidedigna", disse. 

O Governo precisa de ter o primeiro relatório da 'task force' "com tudo  bem explicado" e "até lá é prematuro" falar em estado de calamidade pública,  frisou. 

A ministra garantiu que o Governo está a "acompanhar" a situação, tem  ouvido "as preocupações dos vários setores" e "percebe a angústia de muitos  agricultores", mas precisa de ter "os dados compilados" para poder "analisar  a situação na sua totalidade". 

O Governo vai "continuar a monitorizar" a situação e pedir a Bruxelas  "a flexibilização" do que "for possível", como das regras das medidas agroambientais,  para poder responder às situações, disse. 

Lusa