sicnot

Perfil

O caminho mais longo para o Alasca

O caminho mais longo para o Alasca

O caminho mais longo para o Alasca

"Jantámos porco, arroz e sapos"

Novembro de 2015. Fernando Vaz e João Pedro Carvalho partiram de Lisboa e Alex Bissell da Escócia. Encontraram-se em Londres. O primeiro destino dos três amigos era o Sri Lanka. A partir daí, seguiu-se a Tailândia, o Laos, Vietname, Cambodja e Myanmar. Em cada lugar, pelo menos uma história têm para contar. Uma das mais marcantes foi uma viagem pela selva do Laos. Andaram perdidos, eles e os guias. Choraram e riram. Acabaram a noite a dormir em folhas de bananeiras e a comer sapos.

"Visita ao Tooth Temple, no Sri Lanka. Com a representação futebolística do Sport Lisboa Benfica e Sporting Clube de Portugal por parte do Fernando e do João, respetivamente."

"Visita ao Tooth Temple, no Sri Lanka. Com a representação futebolística do Sport Lisboa Benfica e Sporting Clube de Portugal por parte do Fernando e do João, respetivamente."

Ainda sem grande parte da viagem definida, as primeiras deslocações foram em transportes públicos e aproveitaram para fazer couchsurfing. "No Sri Lanka foi a única vez que pagámos transporte, foi uma viagem diferente e estivémos em sítios mais turísticos", conta Fernando Vaz. À chegada, compraram um pack de transporte e alojamento a baixo preço que lhes permitiu conhecer todo o país. Foi de Chiang Mai para Chiang Rai, na Tailândia, que começou a odisseia à boleia.

Da Tailândia seguiu-se o Laos. Um país que, com toda a certeza, Alex Bissell e João Pedro Carvalho não vão esquecer. Um trekking pela selva marcou a viagem para João Pedro Carvalho. "Comprámos um pack com tudo incluído, comida, saco-cama e tenda. Éramos oito pessoas e três guias. Só um falava inglês e mal. No início, avisou que não fazia o caminho há três anos, havia um novo mas ele não conhecia. Fomos pelo antigo. Na primeira ponte por onde passámos havia ramos e cordas partidas. Continuámos até entrar na selva onde cortávamos mato com uma catana para conseguir passar. Passámos por uma cerca e perguntámos para que servia. Era para proteger as vacas dos tigres, dos ursos e elefantes. Entretanto, o guia ficou indeciso no caminho. Horas depois confirmou que estávamos perdidos. Descemos montanhas a pique sem nada onde nos argarrarmos. Se caíssemos, ficavávamos ali. Já escurecia e ao ver mais uma descida íngreme, o Alex teve um ataque de pânico. Tínhamos que acampar e descer até ao rio. O Alex chorava e ri-a, com as emoções levadas ao extremo. Dormimos em folhas de bananeira e todos em conchinha para aguentar os 10 graus dessa noite. Jantámos porco, arroz e sapos. Durante a noite os guias apontavam lanternas para todo o lado porque é quando os tigres andam por ali. No dia seguinte encontrámos o caminho certo. Eu gostei, estava tranquilo porque adoro estas coisas."

Depois da visita ao Vietname e ao Cambodja separaram-se. Enquanto os amigos voltaram à Tailândia, Fernando Vaz viajou até Myanmar, a antiga Birmânia. "Quando dizemos que somos portugueses, algumas pessoas não sabem onde fica, outras gritam-nos: "Ronaldo!" ou "Figo!" O mais surreal aconteceu-me em Myanmar. Ao dizer que sou português, um senhor gritou: "Portugal, Vasco da Gama!" Não quis acreditar. Há pessoas na Austrália que pensam que o nosso país fica na América Latina e, num país que só há uns anos deixou de viver em ditadura militar, havia uma pessoa que conhecia Portugal por causa do Vasco da Gama."

A viagem a Myanmar foi a mais marcante para Fernando Vaz, pelas paisagens, pela cultura e pela própria história. Pernoitou nos pequenos templos com a autorização de um monge e acordava cedo para assistir ao nascer do sol. "Foi uma experiência única. O país ainda está muito fechado e as pessoas não estão habituadas a ocidentais. Em vez de ser eu a fotografá-las, eram elas que me fotografavam como se fosse um alien."

Os três amigos voltaram a encontrar-se no sul da Tailândia onde, conta Alex Bissell, teve oportunidade de crescer espiritualmente e ganhar consciência de muitas coisas através de conversas profundas com os amigos e com pessoas especiais que conheceram.

O capítulo do sudeste asiático termina com três dias em Bali. Na Indonésia encontraram os pais de Alex Bissell "foi muito especial vê-los", conta. "O pai dele é cozinheiro. Como devem imaginar, aproveitámos bem as refeições durante esses dias", rematou Fernando Vaz.

Terminada a primeira parte da viagem, segue-se a Austrália e Nova Zelândia. Dois países que os jovens portugueses queriam muito visitar. Mas será que a viagem pela Oceania superou as expetativas?

Veja mais no especial na SIC Notícias e na página de Facebook The Longest Way to Alaska

Bárbara Gonzalez Gomes

  • Os viajantes

    O caminho mais longo para o Alasca

    Alex Bissell, João Pedro Carvalho e Fernando Vaz têm 22 anos e são amigos há mais uma década. Consideraram esta a altura certa para uma pausa antes da entrada no mercado de trabalho. Decidiram entrar juntos numa aventura: viajar pelo mundo à boleia. Os planos de viagem acabam por ser alterados, alguns desvios são feitos e, por vezes, separam-se. Porque se um quer fazer surf ou mergulho numa praia australiana, não há que impedir o outro de conhecer Myanmar ou a Ilha de Páscoa.

  • A viagem

    O caminho mais longo para o Alasca

    The Longest Way to Alaska é a viagem de três jovens portugueses. Estão juntos numa volta ao mundo e, sempre que possível, andam à boleia. Começaram em novembro, em Londres, e já passaram em 12 países. De Inglaterra ao Sri Lanka, de Myanmar ao Laos, sem esquecer a Austrália, a Nova Zelândia, os EUA e a Islândia. Têm vivido histórias surpreendentes com pessoas que, provavelmente, nunca voltarão a encontrar. Ou, quem sabe, talvez as encontrem do outro lado do mundo.