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Arábia Saudita acusada de usar bombas de fragmentação no Iémen

Uma organização não-governamental (ONG) norte-americana considerou um crime de guerra a utilização pela coligação internacional, liderada pela Arábia Saudita, que intervém no conflito no Iémen, de bombas de fragmentação, fabricadas pelos Estados Unidos, em zonas civis.

Fragmento de uma bomba CBU-58, encontrada em Sanaaa 6 de janeiro de 2016, fabricada em 1978 no Tennessee (EUA).

Fragmento de uma bomba CBU-58, encontrada em Sanaaa 6 de janeiro de 2016, fabricada em 1978 no Tennessee (EUA).

O relatório da Human Rights Watch (HRW), divulgado na quinta-feira, inclui uma fotografia de parte do invólucro de uma bomba de fragmentação "CBU-58", que mostrava ter sido fabricada em 1978 no Tennessee (EUA).

Os EUA são um aliado próximo da Arábia Saudita e fornecem munições e armas às forças sauditas, mas há muitos anos que não exportava bombas de fragmentação do tipo encontrado em Sanaa.

O relatório da ONG de defesa dos direitos humanos acrescentou que a bomba atingiu uma zona residencial na capital iemenita e deixou as marcas de múltiplas explosões nos edifícios.

"O uso repetido pela coligação árabe de bombas de fragmentação em zonas de uma cidade povoada sugere o propósito de atingir civis, o que é um crime de guerra", disse Steve Goose, diretor para armamento da HRW.

John Kirby, porta-voz do departamento de Estado, afirmou que Washington continua a "pedir a todas as partes no conflito, incluindo à coligação liderada pela Arábia Saudita, medidas ativas para minimizar danos infligidos a civis e investigações de todas as acusações credíveis de danos contra civis".

"Debatemos anteriormente com a coligação informações relativas ao alegado uso de munições de fragmentação, e sublinhámos que este tipo de munição não deve ser usado em zonas onde se encontram civis", acrescentou.

Grupos iemenitas, as Nações Unidas e outros observadores manifestaram preocupação perante o número crescente de vítimas no Iémen e a crise humanitária.

A situação no Iémen agravou-se quando, em março, a coligação começou uma campanha de ataques aéreos para obrigar os rebeldes xiitas 'huthis', que tinham tomado Sanaa, a recuar.

Milícias xiitas 'huthis', apoiadas pelo Irão, lançaram em setembro de 2014 uma ofensiva contra as forças leais ao presidente Abd Rabbo Mansur Hadi e, apesar de algumas perdas, continuam a controlar grande parte do país, incluindo a capital, Sanaa.

A Arábia Saudita envolveu-se no conflito a partir de março, formando com outros oito regimes sunitas uma coligação internacional para apoiar as forças governamentais.

Pelo menos 2.795 civis foram mortos e 5.324 feridos no conflito que há nove meses se trava no Iémen entre milícias xiitas e forças governamentais apoiadas por uma coligação internacional, de acordo com dados da ONU.

Lusa

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