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Arábia Saudita condena aproximação dos EUA a Teerão

A Arábia Saudita condenou hoje energicamente, perante o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, a aproximação entre os EUA e o Irão, na sequência do acordo internacional sobre o programa nuclear de Teerão.

© POOL New / Reuters

O principal diplomata dos EUA está em Riade até domingo para tranquilizar os seus aliados nas monarquias sunitas do Golfo, que temem uma possível reconciliação entre o seu rival xiita e Washington.

John Kerry e os seus parceiros árabes também falaram sobre o processo diplomático para a Síria, outro cenário do antagonismo entre as potências mundiais e as potências regionais, incluindo a Arábia Saudita e o Irão.

"Eu não vejo os Estados Unidos e o Irão a caminhar juntos. O Irão continua a ser o líder mundial de apoio ao terrorismo", afirmou o ministro das Relações Exteriores sauditas, Adel al-Jubeir, numa breve conferência de imprensa conjunta com John Kerry.

Adel al-Jubeir realçou considerar "que os EUA estão bem cientes do perigo que representam as atividades maldosas do Irão".

O chefe da diplomacia saudita alertou ainda contra a "interferência" iraniana "nos assuntos dos países árabes", uma alusão a conflitos regionais -- na Síria, no Iraque e no Iémen -- onde Riade e Teerão se enfrentam diretamente.

Pelo seu lado, Kerry usou a habitual defesa de Washington desde o arrefecimento, em 2013, das suas ligações com os países do Golfo sobre os 'dossiers' do Irão e da Síria.

"Os Estados Unidos continuam preocupados com certas atividades do Irão", no primeiro lugar dos quais está o seu "apoio a grupos terroristas como o Hezbollah xiita libanês" e o seu programa de mísseis balísticos.

Kerry passou a manhã com os seus homólogos dos seis países membros do Conselho de Cooperação do Golfo e conversou à tarde com o rei Salman, com o príncipe herdeiro, com o ministro da Defesa, Mohammed bin Salman, e com Jubeir.

Os países sunitas árabes do Golfo e os EUA são aliados militares históricos, mas estão profundamente em desacordo sobre o regresso do Irão xiita às graças dos EUA, devido ao acordo nuclear selado em julho de 2015 e que permitiu, há uma semana, o levantamento das sanções internacionais, incapacitantes para a economia iraniana.

A animosidade entre Riade e Teerão degenerou em crise aberta no início de janeiro, com a rutura das relações diplomáticas, após o saque da embaixada saudita em Teerão, depois da execução, pela Arábia Saudita, de um clérigo xiita crítico ferrenho do poder saudita.

Com os seus aliados no Golfo, Kerry também discutiu as negociações de paz para a Síria, que devem começar brevemente em Genebra.

O secretário norte-americano tem prevista uma reunião em Riade com o coordenador geral da coligação da oposição síria, Riyad Hijab.

O Secretário de Estado não adiantou uma data, mas anunciou que o Grupo de Apoio Internacional para a Síria, composto por 17 países (como os Estados Unidos, a Rússia, a Arábia Saudita e o Irão) se encontraria "imediatamente após a conclusão do primeiro ciclo" de negociações "indiretas" em Genebra entre o regime sírio e a oposição.

De acordo com Moscovo, Kerry e seu colega russo, Sergei Lavrov, discutiram hoje ao telefone quais os grupos que representarão os opositores sírios na Suíça.

Lusa

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