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Ataque em Manchester

Como falar sobre atentados às crianças e adolescentes

Peter Nicholls / Reuters

Como deixou claro o ataque em Manchester, também crianças e adolescentes podem ser os alvos de atentados. Os psiquiatras oferecem conselhos aos pais sobre como falar sobre o assunto e como agir com os filhos após uma tragédia destas.

Sobretudo não entrar em pânico, aconselha o médico psiquiatra, Gérard Lopez, fundador do instituto de apoio à vítima em Paris. A atitude dos pais é um factor que vai influenciar a evolução - positiva ou negativa - dos problemas psiquiátricos associados ao trauma.

Os hábitos familiares devem ser mantidos, não "aligeirar", nem "endurecer" as regras, recomenda. E o mesmo princípio se aplica às saídas, não fazer nem mais nem menos que o que é costume.

Falar ou nada dizer?

"Os adolescentes não são parvos, eles ouvem as rádios e as televisões, toda a gente fala disso. É por isso necessário dar-lhes bons conselhos. É preciso que eles estejam vigilantes e que escutem as instruções das autoridades. Num controlo policial devem obedecer, a polícia está lá para nos proteger", lembra Gérard Lopez, em entrevista à agência France Press.

Para aqueles que foram diretamente afetados pela tragédia, os pais devem estar mais vigilantes no que respeita ao comportamento - se dorme mal, problemas com apetite para comer... - e não devem hesitar consultar um médico especialista em traumas.

Como deixar as crianças viver sob uma ameaça permanente?

"Os adolescentes detestam que os pais os acompanhem à escola ou a uma saída com os amigos. Eles precisam de se afirmar, de testar os limites com os pais. A ideia de os acompanhar dá segurança a quem? Aos pais".

Os atentados não devem alterar os hábitos, reafirma o psiquiatra. As regras familiares devem ser cumpridas como sempre.

A uma escala mais global, que consequências pode ter esta ameaça sempre latente?

"Numa situação de uma crise de longa duração, há sempre aqueles líderes carismáticos ou políticos que apontam os culpados. É um problema grave que é preciso explicar às crianças: desde sempre que são procurados bodes expiatórios".

Regra geral, acabamos por nos habituarmos ao horror, afirma o psiquiatra. "A principal característica do ser humano é a de se adaptar. Há um fenómenos de adaptação para sobreviver", conclui.