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Atentado em Nice

Atacante enviou sms a pedir mais armas minutos antes do ataque em Nice

O autor do atentado de Nice enviou uma mensagem de texto antes do ataque na qual pedia ao destinatário, um homem já detido, que levasse mais armas, revelou hoje o canal de notícias francês BFM TV.

© Jean-Pierre Amet / Reuters

"Traz mais armas, traz de 5 a C", pediu o atacante numa mensagem enviada a 14 de julho pelas 22:27, hora local, minutos antes de entrar no passeio marítimo de Nice com um camião que usou para abalroar dezenas de pessoas que assistiam ao fogo-de-artifício, provocando 84 mortos.

O telemóvel do homem foi encontrado na cabine do camião depois de a polícia ter abatido o atacante para pôr fim ao ataque.

O jornal diário local Nice Matin acrescentou na sua edição online que os agentes examinam também outra mensagem, na qual o tunisino Mohamed Lahouaiej Bouhlel assegurava que já tinha "material".

O envio da mensagem dá a entender a existência de cúmplices no atentado, no dia nacional de França, 14 de julho, e já reivindicado pelo Daesh.

Essas mensagens conduziram a polícia, nessa mesma noite do ataque, a uma morada ao centro da cidade, mas com "infinitas precauções", por receio de encontrar explosivos.

De acordo com o periódico não se descobriram no local nem armas nem outros artefactos, e nessa noite não houve qualquer detenção.

Fonte próxima da investigação citada pelo jornal precisou que quer o computador, quer o telemóvel do atacante se encontram na mão de peritos do departamento antiterrorista da Polícia Judiciária francesa, que não encontrou qualquer "material de propaganda" na sua residência em Nice.

O Nice Matin acrescentou ainda que um vizinho do autor do massacre disse que este estava afetado por uma "separação que não aceitava" e que o ouviu dizer várias vezes que a sua mulher "ainda iria ouvir falar dele".

A polícia deteve sete pessoas do círculo próximo do atacante, uma delas a sua ex-mulher, e que hoje foi posta em liberdade.

Outras testemunhas, que de acordo com alguns meios de comunicação ascendem às centenas, foram também interrogadas. Desses interrogatórios depreende-se que o terrorista, com um passado de delinquência comum e violência de género, mas sem qualquer passagem pela prisão, radicalizou-se recentemente e muito rapidamente.

Na quinta-feira à noite, um camião avançou durante dois quilómetros sobre uma multidão na Promenade des Anglais (Passeio dos Ingleses), em Nice, que estava a assistir ao fogo-de-artifício para celebrar o dia de França.

O último balanço das autoridades francesas aponta para 84 mortos e 202 feridos. Pelo menos um cidadão português ficou ferido no ataque, confirmou o Governo.

O condutor do camião foi abatido pela polícia.

As autoridades francesas consideraram estar-se perante um atentado e o Presidente da França, François Hollande, anunciou o prolongamento por mais três meses do estado de emergência que vigora no país desde o ano passado.

O Daesh reclamou hoje a autoria do atentado.

Com Lusa

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