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Atentado em Nice

Autor do atentado de Nice esteve duas vezes no terreno para preparar ataque

O autor do atentado de Nice (sudeste de França), o tunisino Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, esteve por duas vezes no local do ataque antes de o concretizar, para se inteirar da forma como o poderia executar, indicaram hoje fontes oficiais.

© Eric Gaillard / Reuters

Segundo a fonte, várias testemunhas deram conta de que Lahouaiej-Bouhlel se deslocou ao local na véspera e antevéspera do ataque com o camião que provocou, a 14 deste mês, 84 mortos e mais de 200 feridos na Promenade des Anglais (Passeio dos Ingleses), em Nice.

Entre as centenas de testemunhas já ouvidas pelos investigadores, prosseguiu a fonte, muitas deram conta da religiosidade do autor do atentado, entretanto reivindicado pelo Daesh, indicando também tratar-se de uma pessoa com um perfil desequilibrado, o que era até gora desconhecido dos serviços secretos franceses.

As autoridades francesas têm avançado que o atacante se radicalizou "muito rapidamente" e que vários familiares e amigos indicaram que Lahouaiej-Bouhlel fumava e bebia e que nunca tinha frequentado uma mesquita.

Desta forma, o perfil do autor do atentado começa a definir-se e as novas indicações acabam por pôr em causa a eficácia francesa na luta contra o terrorismo.

Segundo testemunhos dos vizinhos de Lahouaiej-Bouhlel, apresentado pelo Daesh como "um soldado do Estado Islâmico", além de "desequilibrado", eram frequentes as "crises" com a família.

Na quinta-feira à noite, um camião avançou durante dois quilómetros sobre uma multidão que estava na Promenade des Anglais (Passeio dos Ingleses), em Nice, a assistir ao fogo-de-artifício para celebrar o dia de França.

O último balanço das autoridades francesas aponta para 84 mortos e mais de 200 feridos. Pelo menos um cidadão português ficou ferido no ataque, confirmou o Governo.

O condutor do camião foi abatido pela polícia.

As autoridades francesas consideraram estar-se perante um atentado e o Presidente da França, François Hollande, anunciou o prolongamento por mais três meses do estado de emergência que vigora no país desde o ano passado.

Com Lusa

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