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Lesados do Banif apelam à mobilização e agendam nova manifestação no Funchal

O presidente da Associação de Lesados (ALBOA) do Banif apelou hoje, no Funchal, à mobilização de todos os que foram prejudicados com a venda do banco ao Santander e anunciou a realização de uma manifestação na sexta-feira.

Tiago Petinga/ Lusa (Arquivo)

"A associação vai representar três frentes de lesados: os que subscreveram ações Banif, os que subscreveram obrigações subordinadas e os que subscrevem obrigações rentipar", disse Jaime Alves à agência Lusa, no final da reunião de apresentação da ALBOA, em que participaram cerca de 70 ex-clientes do banco.

O responsável informou que a associação vai recorrer a uma sociedade de advogados para defender a causa dos lesados e vincou que a voz destes far-se-á ouvir em manifestações de rua, estando já agendado um protesto para sexta-feira junto à sede do Santander Totta, no Funchal.

A 15 de fevereiro, cerca de duas centenas de lesados manifestaram-se pela primeira vez no Funchal.

Dois meses antes, a 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal decidiram a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Banco Santander Totta por 150 milhões de euros.

"Nós, lesados do Banif, não estamos a mendigar rigorosamente nada. Estamos aqui para lutar pelos nossos direitos e reivindicar aquilo que já era nosso e que nos foi subtraído, para não recorrer a um termo menos elegante", disse Jaime Alves.

O presidente da ALBOA explicou que, sem incluir os acionistas, em causa estão cerca de 260 milhões de euros de obrigacionistas subordinados e 60 milhões de euros de obrigacionistas rentipar, envolvendo 5.000 ex-clientes, sobretudo na Madeira e Açores, mas também no continente e na diáspora.

Jaime Alves criticou ainda a postura do Estado, na medida em que, depois de ter intervencionado o banco, permitiu que os gestores de conta contactassem os clientes, fazendo-os subscrever aplicações que os prejudicaram.

"Isto aconteceu a 90% das pessoas que subscreveram esses produtos (ações, obrigações subordinadas e obrigações rentipar)", afirmou, concluindo: "não podemos estar agradados com a postura do Estado, a menos que o Estado venha reconhecer e dar-nos razão e ressarcir-nos daquilo que perdemos e que nos pertencia".

Lusa

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