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Associação de lesados do Banif critica solução desenhada pelo Santander Totta

A Associação de Lesados do Banif (ALBOA) acusou hoje o Santander Totta de se querer financiar à custa de investidores não qualificados no âmbito da solução que preparou para resolver o problema dos afetados pela resolução do Banif.

EDUARDO COSTA

"A ALBOA desaconselha totalmente o investimento neste tipo de produto, que não tem qualquer intenção de resolução do problema dos lesados mas tão só de financiamento do Santander Totta à custa de investidores não qualificados", lê-se no comunicado da ALBOA.

Esta entidade realçou a sua "preocupação relativamente à situação dos lesados prejudicados com a resolução aplicada ao Banif", vincando que, "como apresentado nos meios de comunicação social, o Santander Totta preparou uma emissão de obrigações subordinadas com taxa anual líquida de 5,4%, como forma de minorar as perdas de alguns clientes detentores de obrigações subordinadas do Banif".

A ALBOA alertou que se trata de um "produto financeiro de elevado risco, em tudo idêntico ao produto que levou as pessoas à atual situação de lesados" e que abre a "possibilidade de perda da totalidade do capital aplicado e dos juros".

Mais, a associação vincou que se trata de "um produto desadequado aos perfis médios dos lesados e com elevado período de maturidade", até por "exigir uma afetação de novos capitais que as pessoas já não têm".

O Santander Totta lançou no final de junho uma emissão de obrigações subordinadas a 10 anos com um juro de 7,5% destinadas aos clientes com obrigações subordinadas do Banif, que ficaram no 'banco mau' e que por isso poderão não reaver o investimento feito.

Com esta iniciativa, o Santander Totta tenta compensar, pelo menos parcialmente, o investimento feito pelos obrigacionistas subordinados do Banif que, com a falência do banco, são dos credores menos protegidos. Em causa estão cerca de 263 milhões de euros.

O Santander Totta explicou que os títulos de dívida têm como maturidade outubro de 2026 e pagam uma taxa anual fixa de 7,5%.

O período de subscrição desta oferta começou a 01 de julho e termina a 30 de setembro e o valor nominal global máximo é de 205 milhões de euros, sendo que se o valor ficar abaixo a oferta continua válida.

Os clientes que investiram em obrigações subordinadas do Banif, mesmo que invistam agora nesta emissão do Santander Totta, não perdem direitos sobre as obrigações subordinadas que subscreveram do banco fundado por Horácio Roque.

A 20 de dezembro do ano passado, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif com a venda da atividade bancária ao Santander Totta por 150 milhões de euros e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não quis comprar.

Com a aquisição de parte do Banif, o Totta ficou também com a responsabilidade pelo pagamento de obrigações emitidas por aquele banco, como as hipotecárias ou não subordinadas.

No entanto, as obrigações subordinadas, que estão menos protegidas, continuaram no Banif S.A., pelo que esses investidores deverão ter muita dificuldade em reaver o dinheiro, tendo em conta a situação financeira desta entidade.

Em causa estão 263 milhões de euros oriundos de 3.500 obrigacionistas subordinados e 65 milhões de euros respeitantes a um número indeterminado de lesados da Rentipar.

Existem também cerca de 40 mil acionistas, dos quais 25 mil da Madeira, que foram prejudicados com a venda do Banif ao Santander Totta.

Lusa

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