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Lesados do Banif recolhem reclamações que provem à CMVM vendas enganosas

EDUARDO COSTA

A associação que representa os lesados do Banif (ALBOA) está a organizar sessões públicas pelo país para sensibilizar os clientes que se sentem lesados a enviarem para a CMVM reclamações que provem que foram enganados pelo banco.

A primeira sessão pública já decorreu nos Açores, no sábado, e dela resultou o envio de 400 reclamações para a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), disse à Lusa fonte oficial da Associação dos Lesados do Banif (ALBOA).

As próximas sessões serão realizadas em 18 de fevereiro no Funchal (Madeira) e em Faro, em 20 de fevereiro em Lisboa e Aveiro e em 21 de fevereiro no Porto.

A ALBOA pretende sensibilizar os lesados para que façam chegar à CMVM uma descrição sumária do modo como lhes foram apresentados os produtos e os argumentos usados pelo banco para que os clientes os comprassem, referindo que por cada produto subscrito deve ser apresentada uma reclamação.

O objetivo, diz, é que sejam entregues reclamações na CMVM para que o regulador dos mercados financeiros possa chegar à conclusão de que houve "operação global de 'misseling' (vendas enganosas ou fraudulentas)".

Segundo a ALBOA, os produtos foram vendidos usando vários argumentos, como o de que o Banif era do Estado (quando este tinha, de facto, a maioria do capital), o que dava garantia extra sobre os produtos, existindo também situações em que era dito aos clientes que havia uma garantia da CMVM ou que eram como depósitos a prazo, mas com juros mais altos.

A ALBOA representa cerca de 3.500 obrigacionistas subordinados do banco que perderam 263 milhões de euros no processo de resolução e venda do banco, os 4.000 obrigacionistas Rentipar (holding através da qual as filhas do fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a participação no banco), que investiram 65 milhões de euros, e ainda 40 mil acionistas.

Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif com a venda da atividade bancária ao Santander Totta por 150 milhões de euros e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não comprou.

Continua a existir ainda o Banif, agora "banco mau", onde ficaram os acionistas e os obrigacionistas subordinados, que provavelmente nunca receberão o dinheiro investido.

Lusa

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