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Putin nega que Rússia tenha influenciado saída do Reino Unido da UE

O Presidente da Rússia disse hoje que Moscovo nunca interferiu ou tentou influenciar o processo que levou à vitória do 'Brexit', como é chamada a saída britânica da União Europeia, decidida no referendo de quinta-feira no Reino Unido.

© Grigory Dukor / Reuters

"Nunca interferimos, nunca nos manifestamos a esse respeito. Agimos, penso eu, de forma muito correta, temos acompanhado a situação, mas tentamos não influenciar", disse Vladimir Putin, em declarações à comunicação social.

O Presidente russo referia-se a declarações feitas antes do referendo por alguns altos cargos políticos britânicos, incluindo o primeiro-ministro David Cameron, que ao apelar ao voto na permanência britânica no bloco dos 28 asseguraram que o 'Brexit' interessava à Rússia para enfraquecer a unidade na UE.

"A declaração do senhor Cameron antes do referendo, em que falou da posição da Rússia, não tem qualquer fundamento. Acredito que não foi mais que uma tentativa de influenciar a opinião pública do seu próprio país. Ninguém tem o direito de falar sobre a posição da Rússia. É uma exibição de uma cultura política pequena", declarou Putin.

Sobre o resultado do referendo, o Presidente russo disse que "ninguém quer alimentar e subsidiar economias fracas, manter outros Estados e povos inteiros", numa referência a um povo britânico cansado de contribuir para um orçamento europeu.

O líder russo também mencionou o clima de insegurança ligado à crise migratória como outro motivo que influenciou os britânicos a votarem na saída do bloco comunitário.

"Parece que as pessoas estão descontentes com as decisões na área da segurança, [um problema] que aumentou de forma acentuada nos dias de hoje devido ao forte fluxo migratório", indicou Putin.

Tendo em conta os resultados do referendo, a concentração do poder em estruturas comunitárias europeias em detrimento da soberania nacional também "não agrada a maioria dos cidadãos do Reino Unido", acrescentou o líder russo.

Em qualquer caso, a saída dos britânicos da UE "terá consequências tanto para a Europa como para nós", reconheceu o Presidente russo.

"A vida irá dizer se as consequências positivas prevalecem sobre as negativas", concluiu.

Antes destas declarações de Putin, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, tinha afirmado que Moscovo esperava que a saída britânica permitisse uma melhoria das relações entre o Reino Unido e a Rússia.

"Esperamos que nesta nova realidade, a necessidade de construir boas relações prevalecerá", declarou Peskov aos jornalistas, adiantando lamentar "não ter constatado sempre uma vontade de cooperação da parte" dos seus "parceiros britânicos".

As relações entre o Reino Unido e a Rússia têm sido envenenadas por diversas questões, nomeadamente ligadas ao inquérito britânico sobre a morte em Londres em 2006 do ex-agente do FSB (serviços secretos russos) Alexandre Litvinenko ou às sanções ocidentais contra Moscovo, das quais Londres é um dos mais importantes defensores.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair a União Europeia (UE), depois de o 'Brexit' ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira, cuja taxa de participação foi de 72,2%.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou já a sua demissão com efeitos em outubro.

As principais bolsas europeias abriram hoje em forte queda, com a bolsa de Londres a descer perto dos 8%, mantendo-se ao início da tarde com perdas entre os 4% e os 10%.

Numa primeira reação, os presidentes das instituições europeias (Comissão, Conselho, Parlamento Europeu e da presidência rotativa da UE) defenderam um 'divórcio' o mais rapidamente possível, "por muito doloroso que seja o processo".

Lusa

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