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Reino Unido dividido como nunca enquanto Europa quer acelerar saída

O Reino Unido está hoje mais dividido do que nunca na sequência do choque do 'Brexit', com a Escócia pronta a defender os seus próprios interesses, os perdedores em cólera e a União Europeia, apressada em concretizar o divórcio.

Tim Ireland

Uma petição dirigida ao parlamento britânico para reclamar uma nova votação ultrapassou os dois milhões de assinaturas ao meio-dia de hoje, depois de na sexta-feira ter sido feito o anúncio da vitória do 'Brexit', com 51,9% dos votos expresso no referendo realizado na quinta-feira.

Em Edimburgo, a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou que o seu governo procura abrir "discussões imediatas" com Bruxelas para "proteger o seu lugar na União Europeia" (UE).

A Escócia votou 62% para permanecer na UE, e Nicola Sturgeon confirmou que o seu Governo prepara as bases legais de um segundo referendo sobre a independência.

"Se isso significa ficar na UE, então eu votarei pela independência", disse à agência France Presse Chris Dougray, conselheiro financeiro, acrescentando que um cliente lhe disse que "será impossível investir na Escócia enquanto a situação não estiver clara".

As incertezas que pesam sobre o país depois do referendo fizeram com que a libra britânica caísse a pique, e levaram a agência financeira Moody´s a baixar para "negativa" a perspetiva económica para o Reino Unido, que estava anteriormente no nível "estável".

A agência ameaça fazer descer ainda mais essa notação económica.

Em Londres, alguns reclamam a independência da capital, que votou largamente pela permanência na UE, sobretudo os mais jovens, que lançam a sua cólera sobre as gerações mais velhas.

Quanto aos pró-Brexit, continuam em euforia, após terem festejado toda a noite na sequência da vitória da saída, e o líder do eurocético Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, propôs que se decretasse o dia 23 de junho como feriado nacional.

Do lado da UE, a pressão aumenta sobre os britânicos: reunidos em Berlim, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos seis países fundadores pediram a Londres para acelerar o divórcio.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou a demissão, que terá efeitos em outubro, depois da nomeação de um sucessor que irá negociar com a UE, ao longo de dois anos, e, entretanto, a ligação irá manter-se através dos acordos já existentes.

A questão da sucessão acrescenta incerteza, já que Boris Johnson, líder da campanha pró-'Brexit', parece uma escolha lógica.

Os jornais britânicos refletem a divisão: "Tiramos o chapéu à Grã-Bretanha!!", titulou o Daily Mail, tabloide que fez uma campanha virulenta contra a Europa, e, a favor da permanência, o Daily Mirror perguntava em primeira página "Que Diabo vai acontecer agora?".

Lusa

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