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Corrida à sucessão de Cameron começou hoje ensombrada por saída da UE

A corrida à sucessão ao primeiro-ministro britânico derrotado pelo 'Brexit', David Cameron, começou hoje oficialmente no Partido Conservador, enquanto o Partido Trabalhista está à beira da implosão perante o aumento da contestação ao seu líder, Jeremy Corbyn.

Geert Vanden Wijngaert

Do lado dos 'Tories' (conservadores), os candidatos têm das 16:00 TMG de hoje (17:00 em Lisboa) até às 11:00 TMG de quinta-feira (12:00 de Lisboa) para se apresentar, e o nome do novo chefe do Governo será anunciado a 09 de setembro.

Hoje de manhã, só o ministro do Trabalho, Stephen Crabb, tinha oficialmente anunciado a sua candidatura, apoiado pelo ministro da Indústria, Sajid Javid. Partidário da manutenção do Reino Unido na União Europeia (UE), Crabb declarou à imprensa que não é possível qualquer recuo e que "não haverá um segundo referendo".

Mas os dois grandes favoritos são a ministra do Interior, Theresa May, que surge como uma candidata consensual, apesar de se ter mantido em silêncio até agora, e o líder do campo do 'Brexit' Boris Johnson, de 52 anos, ex-presidente da câmara de Londres, que ganhou a sua aposta ao vencer o referendo.

Segundo a imprensa britânica, May e Johnson deverão apresentar---se como candidatos na quinta-feira.

Eurocética notória, Theresa May, de 59 anos, causou surpresa ao anunciar que se aliava ao lado da manutenção na UE, por disciplina de voto governamental. Mas não esteve na linha da frente da campanha e, para muitos 'tories', ela representa desde logo um compromisso que permitirá reunir um partido profundamente dividido entre pró e anti-UE.

Uma vez encerradas as candidaturas, os deputados terão três semanas para escolher dois finalistas que serão alvo da votação dos 150.000 membros do partido durante o verão.

Do lado da oposição trabalhista, o líder do partido, Jeremy Corbyn, já contestado, ficou extremamente fragilizado com o anúncio do 'Brexit'.

Acusado de não ter defendido suficientemente a causa da permanência na UE, o dirigente do 'Labour' perdeu um voto de confiança dos seus deputados na terça-feira, por 172 votos contra 40, depois de ter igualmente perdido o apoio de dois terços do seu governo-sombra.

"O nosso partido está desgovernado. Mais de 80% dos deputados disseram que não trabalham mais com ele, isso não é viável", declarou a deputada Margaret Beckett.

Hoje, os dois antecessores de Corbyn na liderança do partido também o incentivaram a desistir.

"A sua posição é insustentável", comentou Ed Miliband.

"Penso que ele vai sair", acrescentou Gordon Brown, ex-primeiro-ministro.

Até David Cameron se imiscuiu no debate: "Por amor de deus, meu velho, saia, em nome do interesse nacional!", disse o primeiro-ministro demissionário a Corbyn no parlamento.

Mas o veterano da esquerda radical continua a resistir, recordando que a opinião negativa dos seus deputados não tem nada de vinculativo. E insiste que não trairá a confiança dos militantes do partido que o elegeram em setembro por uma larga margem.

Para ser aceite, a moção de desconfiança deve não só receber o assentimento dos deputados como deve ser, em seguida, validada pelo conjunto dos membros do 'Labour'.

Uma sondagem YouGov para o Times mostra hoje que oito em cada dez membros do 'Labour' que aderiram ao partido desde a eleição de Corbyn o apoiariam em caso de nova eleição. O líder trabalhista conta também com o apoio dos sindicatos.

Jeremy Corbyn também já anunciou que se candidatará à liderança do partido caso haja uma nova eleição, na qual Angela Eagle, um dos membros demissionários do seu governo-sombra, e Tom Watson, o seu adjunto, poderão disputar-lhe o cargo.

O economista francês Thomas Piketty, que se tornou conselheiro do 'Labour', anunciou que tinha abandonado tais funções por falta de tempo um mês antes do referendo, e afirmou que apesar de "a campanha de Corbyn não ter de facto sido formidável, dificilmente se poderá apontá-lo como principal responsável" pelo 'Brexit'.

Lusa

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