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Mira Amaral pede à nova liderança da CGD que evite continuação de problemas

O antigo presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Luís Mira Amaral exigiu hoje à nova liderança do banco público uma solução que evite uma nova recapitalização daqui a poucos anos.

(Lusa/Arquivo)

Num debate que decorreu hoje em Lisboa, o agora presidente da comissão executiva do banco BIC exigiu que "a nova gestão da Caixa evite que, depois do esforço brutal que se vai fazer, se volte à mesma cena de há uns tempos".

"O contribuinte diretamente ou indiretamente está a pagar. E se se fizerem bem as contas a gente paga mais pela banca do que poupou na austeridade. É preciso ter juízo para que não voltemos a cenas destas", afirmou Mira Amaral, que foi presidente executivo da CGD entre abril e outubro de 2004.

Questionado sobre como é que a gestão da CGD pode evitar a interferência do poder político, o antigo ministro social-democrata disse que "a gestão que se imponha e que tenha juízo".

"Não vou discutir inquéritos ou não, mas o que eu espero é que a gente tenha a segurança de que a gente mete lá o dinheiro dos impostos do país e que temos um banco capaz de financiar as pequenas e médias empresas e a economia portuguesa", Mira Amaral.

No debate, que foi promovido pelo Instituto do Conhecimento da sociedade Abreu Advogados, participou também o fundador do grupo Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos.

"A [recapitalização da] Caixa Geral de Depósitos (CGD) só me surpreende que aconteça agora. Há quantos anos se sabia? É como o BES. Há quantos anos se sabia? E alguém fez alguma coisa? Não. E isso é que não pode ser", afirmou.

No debate participaram também o antigo ministro socialista Daniel Bessa, que sublinhou a "responsabilidade imensa" do Banco de Portugal, e o advogado Luís Fábrica, que admitiu um sentimento de "pré catástrofe" em relação à economia portuguesa.

A CGD tem estado no centro do debate político e o PSD e o CDS-PP assinaram na segunda-feira o texto que pede a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito, que pretendem que tenha início no final de julho, numa altura em que se discute a recapitalização do banco público, com a imprensa a referir valores que podem ascender a 4.000 milhões de euros.

No entanto, o valor da injeção de capital ainda não é conhecido formalmente e estão ainda a decorrer negociações entre o Governo e a Comissão Europeia. Em 2015, o banco teve 171,5 milhões de euros de prejuízos. O novo presidente da CGD será António Domingues, que pertencia à administração do BPI. José de Matos terminou funções no final do ano passado.

Questionado sobre os mais recentes números da atividade económica, que em maio foram negativos (não o eram desde agosto de 2013), Daniel Bessa respondeu apenas que "os números demonstram que o caminho não é o melhor".

Os intervenientes abordaram ainda a queda nas exportações, com Mira Amaral a defender que o "momento do aumento das exportações devia ter sido aproveitado" pelo atual Governo e com Daniel Bessa a admitir que "a austeridade teve um único benefício: fazer aumentar as exportações".

Por sua vez, Soares dos Santos apontou o dedo às próprias empresas, considerando que "não há uma associação decente" e que "é necessário alterar a maneira de pensar".

Soares dos Santos criticou ainda a decisão do Governo de não baixar o IRC, conforme estava previsto na reforma do imposto: "Temos uma política fiscal que ninguém sabe qual é. Só os advogados sabem. Quando a Jerónimo Martins foi para a Colômbia, garantiram-nos estabilidade fiscal de 13 anos. Aqui, o IRC já foi mudado outra vez. Não sabemos com o que contar. Não vamos investir sem ter garantias", disse.

Lusa

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