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Caso CGD

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Campos e Cunha aponta "situações estranhas" na Caixa

O ex-ministro das Finanças Campos e Cunha defende que a CGD "não pode ser um braço político" dos Governos, considerando que "a Caixa foi relativamente imune aos ciclos políticos" até 2002 mas que, desde então, houve "situações estranhas".

LUSA

A CGD tem estado no centro do debate político e o PSD e o CDS-PP assinaram na segunda-feira o texto que pede a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito, que pretendem que tenha início no final de julho, numa altura em que se discute a recapitalização do banco público, com a imprensa a referir valores que podem ascender a 5.000 milhões de euros.

Em entrevista à Lusa, Campos e Cunha, que foi ministro das Finanças nos primeiros quatro meses do primeiro governo socialista de José Sócrates, em 2005, disse que sempre defendeu "uma Caixa Geral Depósitos [CGD] pública", mas que "isso não é um princípio sacrossanto".

"A CGD tem de ser gerida e bem gerida, não pode ser um braço político, não se pode politizar a concessão de crédito da CGD. Tudo isto leva a que provavelmente também tenhamos algumas consequências para a CGD que sejam mais particulares dessa instituição", afirmou o economista, salvaguardando no entanto que está "ligado a um banco privado", o Santander, e que, como tal, há questões a que não deve responder.

Questionado sobre se estas "consequências particulares" decorrem do facto de não terem sido cumpridos os bons princípios de governação, Campos e Cunha afirmou que "a CGD ficou relativamente imune aos ciclos políticos até 2002 porque os governos tiveram o cuidado de arranjar figuras ligadas ao partido da oposição que eram pessoas de grande reputação", referindo os exemplos de Rui Vilar (administrador geral da CGD de 1989 até 1995) e de João Salgueiro (administrador geral da CGD de 1996 até 2000).

"Houve algum distanciamento dos governos face à gestão da Caixa e isso é bom. Em 2002, não... com Ferreira Leite [como ministra das Finanças] e depois com o engenheiro José Sócrates [como primeiro-ministro] a situação foi ainda mais estranha", acrescentou Campos e Cunha.

Sublinhando que "nos bancos as asneiras e os maus negócios pagam-se cinco anos depois", Campos e Cunha diz que "não é de estranhar que passado uns anos as coisas venham a aparecer".

Em relação à criação da comissão de inquérito, em sede parlamentar, Campos e Cunha afirma que "quando um problema bancário cai na praça pública dificilmente se consegue resolver".

Para o professor académico, prestar contas e dar justificações aos contribuintes "é necessário", mas isso tem de ser feito "depois de o problema estar resolvido" para não penalizar a reputação do banco.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, convocou uma conferência de imprensa na quarta-feira para falar sobre o caso da CGD mas acabou por não avançar com valores.

O governante disse que o Governo está a negociar um plano de capitalização e um plano de negócios com Bruxelas que permitam que a Caixa volte a ter resultados positivos de forma sustentada ao longo dos próximos cinco anos.

O compromisso assumido é que o banco público atinja "resultados positivos e sólidos de forma sustentada ao longo dos próximos cinco anos".

Para isso, está a ser desenvolvido um plano de negócios até 2020 que prevê, entre outros pontos, o redimensionamento da CGD, incluindo a redução do número de agências e de colaboradores, sem recurso a despedimentos mas com base em processos de reforma e de pré-reforma, sublinhou o governante.

Paralelamente, estão também a ser desenhados os moldes do plano de capitalização cujos números Centeno ainda não divulgou.

Lusa

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