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Cristas admite audiência com Presidente da República sobre "funcionamento do parlamento"

MIGUEL A. LOPES

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, admitiu esta quinta-feira pedir uma audiência ao Presidente da República para discutir as "questões do funcionamento do parlamento" que se prendem com a Caixa Geral de Depósitos, defendendo os "direitos das minorias".

"Não excluo, por exemplo, pedir uma audiência ao senhor Presidente da República para discutir estas questões do funcionamento do parlamento que nos estão a preocupar muito", afirmou Assunção Cristas, durante a iniciativa "Eco Talks", do jornal económico 'online' Eco, que decorreu num hotel de Lisboa.

A líder centrista defendeu que é dever do CDS no parlamento "trabalhar para ser conhecida a verdade" sobre alegadas garantias dadas ao ex-administrador da Caixa sobre deveres declarativos dos rendimentos e sublinhou os direitos das minorias no funcionamento da Assembleia: "Não há uma sociedade democrática e estável que possa funcionar apenas com os direitos das maiorias".

A líder centrista considerou que noutro país da Europa provavelmente o ministro das Finanças já não estaria em funções, mas recusou, mais uma vez, pedir a sua demissão, apontando, antes ao primeiro-ministro, que, considera, deve assumir e explicar os episódios em torno da anterior administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Para Assunção Cristas, António Costa "é muito ardiloso" e "muitíssimo hábil em retirar-se de cena em qualquer situação incómoda".

Os requerimentos apresentados pelo PSD e CDS-PP para que as informações trocadas entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ex-presidente da CGD António Domingues sejam usados na comissão parlamentar de inquérito foram chumbados na quarta-feira pelo PS, BE e PCP.

Os grupos parlamentares que suportam o Governo socialista consideram que os documentos que António Domingues enviou para a comissão de inquérito, 176 páginas, ultrapassam o objeto da mesma, pelo que inviabilizaram a sua admissibilidade.

Assunção Cristas insistiu em que seja conhecida a verdade, considera que se vive "um momento crítico" da vida coletiva portuguesa, em que tem pontuado do lado do Governo uma "atitude de prepotência, de arrogância", num "processo ínvio".

Questionada sobre o papel do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no processo, a líder do CDS respondeu: "O senhor Presidente da República entendeu o seu papel como um pendor de estabilidade governativa. Está a fazer o que muitas vezes disse que ia fazer".

"É um momento grave, o que se está a passar no parlamento e no país", declarou, considerando que este episódio "deteriora a qualidade da democracia.

Para Assunção Cristas, "tentar remediar com mais remendos ou semiverdades não é boa política".

"Não nos dá confiança neste Governo", afirmou, sublinhando que esta "não é uma questão isolada", apontando também a questão do acordo de concertação social para a descida da Taxa Social Única (TSU) que foi chumbado no parlamento quando o PSD votou ao lado do BE, PCP e PEV.

A presidente do CDS-PP imputa ao acordo à esquerda estes episódios, que se traduzem em instabilidade, e chegou a afirmar: "Eu já disse ao primeiro-ministro, de caras, que não tem condições para lá estar, não tem uma maioria estável e duradoura".

Perante a insistência do jornalista António Costa, que moderava o debate, sobre se achava que devia haver eleições, Cristas disse que "o primeiro-ministro tem obrigação de se comprometer com aquilo que prometeu", a estabilidade.

"António Costa é refém da circunstância que ele próprio criou. Entenda-se, trabalhe mais", disse.

A líder centrista acabou por afirmar que "enquanto o Governo tiver quem lhe aprove os orçamentos é prematuro" falar em eleições".

"Nos momentos centrais há união, isso é que é o mais importante", reconheceu, destacando sempre os episódios de instabilidade que considera decorrerem da atual solução de Governo.

Lusa

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