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Ferro Rodrigues "lamenta, mas compreende" demissão de Matos Correia

(Arquivo/Lusa)

MIGUEL A. LOPES

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, "lamentou, mas compreendeu" o pedido de demissão apresentado esta quinta-feira pelo presidente da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD), disse fonte do seu gabinete.

Segundo a fonte do gabinete do presidente do parlamento, no encontro que antecedeu a conferência de imprensa em que o deputado social-democrata Matos Correia anunciou a demissão, Ferro Rodrigues teve ocasião de lhe "expressar admiração e simpatia".

O presidente demissionário da comissão de inquérito parlamentar à CGD afirmou que "não está disponível para pactuar com atitudes que violam a lei, são um atropelo da democracia e põem em causa modo normal de funcionamento" dos trabalhos.

Ferro Rodrigues já contactou o líder parlamentar dos sociais-democratas, Luís Montenegro, o qual ficou de lhe comunicar ainda esta tarde alguma decisão sobre os trabalhos, uma vez que, tendo a comissão sido constituída potestativamente pelo PSD, caberá àquele grupo parlamentar tomar a iniciativa de nomear outro deputado para presidir aos trabalhos.

Para já, a 25.ª reunião ordinária da Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, marcada para as 18:00, deverá ser adiada, até que haja substituto de Matos Correia ou outra decisão.

Esta quinta-feira, está agendada a audição de Álvaro Barrigas do Nascimento, ex-presidente do conselho de administração da CGD.

Entretanto, a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, admitiu esta quinta-feira pedir uma audiência ao Presidente da República para discutir as "questões do funcionamento do parlamento", defendendo os "direitos das minorias".

Na véspera, requerimentos apresentados por PSD e CDS-PP para que as informações trocadas entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ex-presidente da CGD António Domingues fossem usados no inquérito foram chumbados por PS, BE e PCP.

Aqueles grupos parlamentares consideraram que os documentos que António Domingues enviou para a comissão de inquérito, 176 páginas, ultrapassam o objeto da mesma, pelo que inviabilizaram a sua admissibilidade.

Lusa

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