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Cimeira do Clima

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Perguntas, respostas e números da Conferência do Clima

É considerado um dos maiores desafios que se coloca à humanidade neste século. A questão das alterações climáticas exige uma resposta concertada a nível mundial. Por isso, desde 1995, governos de todo o mundo reúnem-se todos os anos na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas para procurarem soluções conjuntas que permitam conter o aumento da temperatura média do planeta. Mas este ano, a Conferência do Clima, que se realiza em Paris, reveste-se de uma importância particular.

© Philippe Wojazer / Reuters

O que é a Conferência do Clima de Paris?

É a 21ª Conferências das Partes da Convenção-quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP21), e vai decorrer em Paris, França, entre 30 de novembro e 11 de dezembro. É uma reunião anual que junta 195 países mais a União Europeia (UE) com o objetivo de definir medidas globais face às alterações climáticas. Tem a duração de 2 semanas: a primeira de nível técnico e a segunda de nível ministerial.

COP21 em números

195 países

147 chefes de Estado e de Governo confirmados na abertura da Conferência (30 nov.)

40.000 participantes na Conferência, entre eles 3.000 jornalistas do mundo inteiro

11.000 agentes das forças da ordem mobilizados para fronteiras local da Conferência

O que é a Convenção-quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas?

A Convenção-quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas é um tratado internacional aprovado no Rio de Janeiro, em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento (também chamada Cimeira da Terra ou ECO-92), com o objetivo de limitar a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera terrestre.

O que está em jogo em Paris?

Em Paris pretende-se alcançar um acordo global para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, para impedir um aumento da temperatura média global superior a 2°C, e travar os efeitos mais perigosos das alterações climáticas. Além disso, está em jogo a mobilização de meios para a adaptação a uma clima em mudança, nomeadamente financiamento para os países mais pobres, após 2020.

Em que ponto estamos?

Antes do início da Conferência, cerca de 160 países - representando mais de 90% das emissões globais - já tinham apresentado as respetivas contribuições nacionais para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa até 2025 ou 2030. Mas, contas feitas, a redução das emissões proposta globalmente não é suficiente para manter o aquecimento global abaixo do limte de 2°C. Mas, se nada fosse feito, o mais certo seria um aumento da temperatura média do Planeta de 4°C ou 5°C, em relação aos níveis do período pré-industrial. Já existe um esboço de acordo para Paris, que terá de ser agora negociado durante a Conferência. Nesse documento, prevê-se que de cinco em cinco anos os países assumam novos e mais ambiciosos compromissos de redução de emissões.

Diferentes Contribuições Nacionais

As contribuições nacionais variam muito entre si. Por exemplo: A União Europeia (UE) comprometeu-se, tal como já estava previsto no Pacote Energia e Clima, a reduzir as suas emissões em 40% até 2030, em comparação com os níveis de 1990. Os EUA anunciaram que irão reduzir entre 26% e 28% as emissões até 2025, em comparação com os níveis de 2005. A China concordou em atingir o pico de emissões em 2030, comprometendo-se a reduzir 60 a 65% as emissões de CO2 por unidade de PIB até 2030, em relação a 2005.

O que podemos esperar de Paris?

Um acordo global com as contribuições de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) de todos os países, desenvolvidos e em desenvolvimento, para conter o aumento da temperatura média do Planeta, e com uma revisão de compromissos nacionais de 5 em 5 anos. As questões das necessidades de adaptação e do financiamento aos países mais pobres e vulneráveis também deverão estar presentes. Poderá não ser um acordo juridicamente viculativo, como a União Europeia defende.

Porque se fala tanto em 2°C?

De acordo com o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) um aumento da temperatura média do Planeta superior a 2°C, relativamente aos níveis pré-industriais, terá consequências nefastas, tais como um aumento da frequência de eventos meteorológicos extremos.
Na COP15, em Copenhaga, na Dinamarca em 2009, os países comprometeram-se a limitar o aumento da temperatura média global a 2°C até 2100. Para alcançar esta meta, os cientistas estimam que seja preciso reduzir as emissões de GEE entre 40 a 70% até 2050, e atingir emissões zero até ao final deste século.

Responsabilidade partilhada mas diferenciada

A contribuição histórica de cada país para o problema das alterações climática não é igual. Os países mais desenvolvidos começaram a contribuir para o problema na revolução industrial, enquanto as economias emergentes, como a China ou a Índia, têm um histórico muito menor de emissões de gases com efeito de estufa. Contudo, entende-se que todos os países devem contribuir para a resolução do problema ainda que de forma diferenciada, por terem contribuído de formas diferentes para o aumento da concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera.

O Clima está mesmo a mudar?

Em relação à temperatura média do Planeta no período pré-industrial, o termómetro já subiu 1°C. Ou seja, temos em 2015 uma temperatura média à superfície da Terra 1°C acima do que era a temperatura média global antes da revolução industrial. O séc. XXI está a ser o século em que estão a ser batidos mais recordes climáticos desde que começaram a ser registados dados, em 1880. O mês de outubro deste ano foi o outubro mais quente desde que há registos, de acordo com o boletim mensal da agência meteorológica norte-americana a (NOAA - National Oceanic and Atmospheric Administration) e, segundo a agência meteorológica britância (Met Office), este ano deverá ser o ano mais quente desde que há registo. 2014 já tinha sido o mais quente, desde pelo menos 1880.

Há mesmo interferência humana?

O clima da Terra sempre mudou. Mas, além das variações naturais que ocorrem ao longo de milhares e milhões de anos, verifica-se uma mudança muito rápida que, segundo os cientistas do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (IPCC), decorre da interferência de origem humana no clima da Terra. As atividade humanas, como a queima de combustíveis fóssseis (carvão, petróleo e gás natural) e a desflorestação, alteram o ciclo natural do carbono e contribuem para intensificar o efeito de estufa natural. Desde a revolução industrial, a concentração de gases com efeito de estufa (GEE) na atmosfera tem aumentado de forma muito rápida. A generalidade dos cientistas (97% de consenso) considera que, atualmente, as atividades humanas são a força predominante do aquecimento global, algo que nunca tinha acontecido na História da Terra.

Entre os principais setores emissores de GEE a nível mundial estão a Produção de energia, a Produção industrial, os Transportes, a Agricultura e a Desflorestação, e os Edifícios.

O que é o efeito de estufa?

O efeito de estufa é um fenómeno global muito importante para a existência de vida, como a conhecemos, no Planeta Terra. Se a atmosfera terrestre não tivesse na sua composição gases com efeito de estufa (GEE), a Terra teria uma temperatura média muito mais baixa (cerca de -20°C). Estes gases funcionam como uma espécie de "cobertor" que envolve a Terra, mantendo uma temperatura amena (cerca de 15°C em média) à superfície. Ora, o aumento de concentração de GEE vai exacerbar o efeito de estufa e aumentar a temperatura média global. Há uma série de gases com efeito de estufa, como o Dióxido de carbono (CO2), o Metano (CH4) e o Óxido nitroso (N2O).

10 Maiores emissores de GEE a nível mundial

Emissões por Habitante dos 10 Maiores emissores

A China ultrapassou os EUA em emissões absolutas de gases com efeito de estufa em 2006. Mas, apesar da China emitir anualmente mais gases do efeito estufa do que os EUA, as emissões dos chineses por habitante são menores do que as dos norte americanos.

1. Canadá
2. EUA
3. Rússia
4. Japão
5. União Europeia (28)
6. Indonésia
7. China
8. Brasil
9. México
10. Índia

Dias-chave durante a COP21

29 de novembro, domingo - Após a proibição de manifestações pelo Governo francês, estão a ser avaliadas iniciativas alternativas à Marcha Global pelo Clima em Paris que tinha início previsto para as 12h00 (hora de Paris) na Praça da República, juntando participantes de todo o mundo, no dia anterior à conferência.Concentrações programadas na mesma linha em todo o mundo incluindo Lisboa, onde está prevista uma ação com início no Martim Moniz até à Alameda D. Afonso Henriques.

30 de novembro, segunda-feira - Início da Conferência com participação já confirmada na abertura de, pelo menos, 147 chefes de Estado e de Governo. Em muitos pontos do mundo, incluindo em Portugal, está prevista uma ação, Global sit-Down, em diversas universidades.

5 de dezembro, sábado - "Dia da Ação" (dia da Conferência dedicado ao trabalho desenvolvido por CEO de empresas, Organizações Não Governamentais, autarcas, instituições financeiras).

7 de dezembro, segunda-feira - Início do chamado segmento de alto nível da Conferência com a presença dos ministros do ambiente de todos os países.

8 de dezembro, terça-feira - Anúncio do Climate Change Performance Index, ranking de diferentes países.

10 e 11 de dezembro, quinta e sexta-feira - Adoção de decisões e conclusões.

11 de dezembro, sexta-feira - Último dia da Conferência. Mas os trabalhos poderão ser prolongados para o dia seguinte sábado até estar concluído o "Acordo de Paris". Evento à margem da Conferência dinamizado pelo Governo Português / Coligação para o Crescimento Sustentável, com vários intervenientes na área das energias renováveis, indústria, agricultura.

12 de dezembro, sábado - Estão em avaliação iniciativas alternativas face ao cancelamento da mobilização final prevista para as ruas de Paris.

  • Como reduzir as emissões de gases com efeito de estufa

    Infografias

    O efeito de estufa é um fenómeno global muito importante para a existência de vida, como a conhecemos, no Planeta Terra. Se a atmosfera terrestre não tivesse na sua composição gases com efeito de estufa (GEE), a Terra teria uma temperatura média muito mais baixa (cerca de -20°C). Estes gases funcionam como uma espécie de "cobertor" que envolve a Terra, mantendo uma temperatura amena (cerca de 15°C em média) à superfície. Ora, o aumento de concentração de GEE vai exacerbar o efeito de estufa e aumentar a temperatura média global. Há uma série de gases com efeito de estufa, como o Dióxido de carbono (CO2), o Metano (CH4) e o Óxido nitroso (N2O).

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    Martim Mariano