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Cimeira do Clima

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Arranca a Cimeira do Clima e oportunidade de acordo global

A luta contra as alterações climáticas junta hoje, em Paris, quase 150 líderes mundiais na abertura da conferência das Nações Unidas, que vão tentar obter um acordo vinculativo para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

© Christian Hartmann / Reuters

A decorrer sob fortes medidas de segurança, decididas depois dos atentados de 13 de novembro na capital francesa, que provocaram 130 mortos, a cimeira tem confirmadas as presenças dos presidentes dos EUA e da Rússia.

Os atos terroristas levaram também o Governo francês a cancelar as marchas pelo clima, organizadas por associações representativas da sociedade civil, como as ambientalistas, tanto para a véspera da abertura oficial, como para 12 de dezembro, o dia seguinte ao encerramento da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21).

As organizações desmarcaram a marcha, mas pediram a quem pretendia participar para enviar um par de sapatos "em sua representação" e foram milhares as botas e ténis a ficar na praça La République, no domingo, e convidaram à realização de um cordão humano que passou por vários pontos da cidade.

No final, registaram-se confrontos entre a polícia e manifestantes, alguns dos quais lançaram objetos aos agentes, que responderam com gás lacrimogéneo.

Portugal estará representado na abertura da COP21 pelo novo primeiro-ministro, António Costa, que se faz acompanhar do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

Serão 196 os países a estar representados em Paris até 11 de dezembro para negociar reduções de emissões, a sua distribuição por nações desenvolvidas e em desenvolvimento, formas de adaptação às mudanças, e as ajudas aos países mais afetados, mas com menos capacidades económicas.

Parece ser consensual a posição da Comissão Europeia, transmitida esta semana, de que é "uma oportunidade histórica" para evitar as consequências das alterações climáticas e obter um acordo mundial sobre o clima para 2020 justo, ambicioso e juridicamente vinculativo.

O objetivo é abranger toda a sociedade e a delegação portuguesa, como aquelas de outros países, integra técnicos das entidades oficiais, mas também representantes de organizações não governamentais, de ambiente, como a Quercus, e de desenvolvimento, e de entidades empresariais, como o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD), e investigadores de universidades.

Nos últimos anos, realizaram-se várias conferências das partes da Convenção das Nações Unidas sobre clima, denominadas COP, para encontrar alternativas ao protocolo de Quioto, aprovado em 1997 mas que não teve o compromisso de vários dos países com mais emissões.

Agora, após negociações em Genebra e Bona levaram a uma primeira versão do que será o "Acordo de Paris", um texto já analisado por vários ministros e depois publicado, a 10 de novembro, com 54 páginas e muitos parêntesis, refletindo outras tantas opções possíveis de decisão.

Entre os assuntos pendentes estão a aceitação de um mecanismo de revisão periódica das contribuições nacionais e a existência de um só sistema, sem divisões entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, mas com flexibilidade no tratamento, tema que, juntamente com a responsabilização dos países maiores emissores, serão aspetos mais difíceis de resolver.

O financiamento das ações relacionadas com o clima, nomeadamente a adaptação, com a possibilidade de ser aumentado o Fundo Verde do Clima de 100 mil milhões de dólares (94 ml milhões de euros) por ano.

Até agora, mais de 170 países já apresentaram os seus contributos para a redução de emissões, mas ainda insuficientes para alcançar a meta de menos dois graus.

Lusa

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