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Cimeira do Clima

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Beber água da torneira é moda na COP21

Beber água da torneira tornou-se moda na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21).

© Benoit Tessier / Reuters

Uma garrafa do "kit" de boas-vindas da COP21, batizada "gobi", tornou-se na mascote informal da cimeira, com centenas de pessoas a enchê-la diariamente com água da torneira em vários pontos de abastecimento do parque de exposições de Le Bourget, nos arredores de Paris.

A água engarrafada à venda nos vários cafés e restaurantes da cimeira, por 1,5 euros, foi rapidamente ultrapassada pela "gobi", entregue dentro de um embrulho reciclado, descrita como "reutilizável, Made in France" e oferecida pelo serviço municipal de distribuição de água de Paris que convida a beber "à confiança" a água "consumida por mais de 4 milhões de habitantes da região parisiense".

A ideia nasceu há cinco anos de uma start-up francesa, a Gobilab, que quis criar "uma garrafa reutilizável que fosse urbana e elegante para o escritório", disse à Lusa Florence Baitinger, co-fundadora da empresa, que foi contactada em março pela organização da COP21.

«A COP21 queria dar o exemplo e procuravam uma garrafa ecológica, fabricada em França, personalizável e com um design inovador", explicou a empresária de 38 anos, acrescentando que a garrafa nasceu da constatação que "os caixotes de lixo dos escritórios estavam cheios de copos de plástico, algo que representava cerca de 650 copos de plástico por pessoa anualmente".

Transportada na mão ou pendurada nas mochilas, a "gobi" acompanha o desfile diário de centenas de pessoas tanto na Zona Azul, onde decorrem as negociações sobre o clima, como na Zona Verde, onde estão concentradas as atividades da sociedade civil.

"É realmente uma ideia europeia. Em Madagáscar seria preciso ferver a água e deixar arrefecer antes de usar a garrafa, mas aqui é muito prático, basta ir às fontes e encher", comentou Sylvie Razafindrabe do Grupo Temático para as Mudanças Climáticas de Madagáscar, que hoje preferiu encher a garrafa com sumo de laranja.

Em cima de uma mesa do stand da 'Agence Bio', uma plataforma francesa para o desenvolvimento da agricultura biológica, está outra "gobi" que o representante da agência, Gérard Michaud, classifica como "uma boa ideia de publicidade e que permite realmente guardar a garrafa durante anos".

Camille Cherques, especialista em arte e clima, também exibe a sua garrafa e disse à Lusa que "a ideia é interessante porque é económica, permite a reutilização e há as fontes de água para encher", ainda que tenha algumas dúvidas sobre "se a produção deste plástico emite menos CO2 do que o produzido para as garrafinhas normais".

Nos controlos de segurança - à entrada da cimeira e que se assemelham aos dos aeroportos - são muitas as garrafinhas "gobi" que os visitantes tiram do saco mas, ao contrário dos aeroportos, não precisam de abandonar os líquidos desde que bebam uns goles em frente aos agentes de segurança. "Mais uma vantagem", comentou a malgaxe Sylvie Razafindrabe.

A COP21, que decorre entre 30 de novembro e 11 de dezembro, reúne em Paris representantes de 195 países, que tentarão alcançar um acordo vinculativo sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa que permita limitar, até 2100, o aquecimento da temperatura média global da atmosfera a dois graus centígrados acima dos valores registados antes da revolução industrial.

Até agora, cerca de 180 países já apresentaram os seus contributos para a redução de emissões, mas ainda insuficientes para alcançar a meta proposta.

Entre os assuntos pendentes estão a aceitação de um mecanismo de revisão periódica das contribuições nacionais e a existência de um só sistema, sem divisões entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, mas com flexibilidade no tratamento, tema que, juntamente com a responsabilização dos países maiores emissores, serão aspetos mais difíceis de resolver.

Lusa

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