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Ministro do Ambiente quer "novo padrão de mobilidade urbana"

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, quer um "novo padrão de mobilidade urbana muito menos assente no transporte individual", disse hoje à Lusa, em Paris, o governante, durante a Cimeira do Clima (COP21).

João Matos Fernandes, ministro do Ambiente.

João Matos Fernandes, ministro do Ambiente.

(SIC)

João Matos Fernandes - que esta manhã discursou no segmento de alto nível na COP21 - indicou à Lusa que a aposta passa por dinamizar as frotas rodoviárias, pelo aumento da oferta de transporte coletivo e pelo favorecimento de outros modos de transporte, como a bicicleta.

"Nós temos que ter um novo padrão de mobilidade urbana muito menos assente no transporte individual do que aquele que temos hoje. Ao mesmo tempo que isso acontece, queremos também que a mobilidade aumente, isto é, que as pessoas tenham mais opções para poder sair de casa e chegar ao seu destino", explicou o ministro com a tutela dos Transportes.

João Matos Fernandes destacou que "para além do favorecimento de modos de transporte que há anos se julgava menos relevantes" como a bicicleta, o objetivo é "aumentar a oferta de transporte coletivo", algo que deve ser discutido com as autarquias.

"Há um terceiro esforço a fazer-se que é nas próprias frotas rodoviárias que têm tido e que tiveram até há quatro, cinco anos atrás, uma evolução bastante importante, nomeadamente ao passar do gasóleo para o gás e ao aparecerem já alguns veículos elétricos. Nos últimos anos essa dinâmica foi menos clara e irá certamente ser relançada no futuro próximo", disse.

Relembrando que agora o ministério do Ambiente é a entidade que "tutela politicamente o setor da habitação e o setor dos transportes", o governante insistiu que o objetivo é atingir" um novo padrão de mobilidade onde se não reduza - como aconteceu no passado recente e mal - a oferta de transportes coletivos da cidade".

Por outro lado, João Matos Fernandes falou na aposta da reabilitação urbana, "em que os novos prédios uma vez reabilitados tenham uma eficiência e uma qualidade energética que não têm hoje nem tiveram no passado", indicou.

Ainda que considere que "Portugal deve orgulhar-se do percurso que fez desde 1997" - por ter ido "para além do Protocolo de Quioto" e por já ter sido "campeão das energias renováveis" - o ministro considerou que há uma área onde "há mais trabalho para fazer".

"Falta fazer uma parte importante mais difícil que é combatermos os gases de efeitos de estufa que têm uma origem difusa, isto é, a casa de cada um de nós, o automóvel de cada um de nós, a rede de transportes coletivos de uma cidade e a mobilidade urbana", esclareceu.

Questionado sobre a descida de dez lugares de Portugal no desempenho contra as alterações climáticas no índice "Climate Change Performance Index", apresentado hoje na COP21, João Matos Fernandes sublinhou que os dados se baseiam no ano de 2013 e que "o governo não pode ser responsável por eles", mas justificou que o 19.º posto entre os 58 países mais industrializados "não é objetivamente um mau resultado", tendo em conta que os três primeiros lugares não são atribuídos.

"Devemos tomá-lo, de facto, como um alerta para aquilo que nos últimos tempos foi menos bem feito, mas não há de ser em um, dois anos, que há uma inversão e um reposicionar Portugal nos primeiros lugares do ranking", continuou, destacando que "não embaraça ninguém no sentido em que Portugal deve orgulhar-se por desde 1997 estar a fazer um caminho firme na redução dos gases de efeitos de estufa".

João Matos Fernandes avançou, ainda, que "a União Europeia está a considerar colocar nos seus objetivos uma referência ao grau e meio", tendo em conta que "os países das pequenas ilhas acham que 2 graus não chegam", mas lembrando que "a referência dos dois graus era uma referência anterior à conferência e é para ela que os objetivos de todos estão a apontar".

A COP21, que decorre até sexta-feira, reúne em Paris representantes de 195 países, que tentarão alcançar um acordo vinculativo sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa que permita limitar, até 2100, o aquecimento da temperatura média global da atmosfera a dois graus centígrados acima dos valores registados antes da revolução industrial.

Lusa

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