sicnot

Perfil

Cimeira do Clima

Cimeira do Clima

Cimeira do Clima

Especialistas portugueses na Cimeira do Clima céticos quanto a acordo

Especialistas portugueses presentes na Cimeira do Clima (COP21), em Paris, mostraram-se céticos quanto à possibilidade de alcançar de um acordo esta sexta-feira, em declarações à agência Lusa.

Reuters

Reuters

© Stephane Mahe / Reuters

Francisco Ferreira, professor do Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade da Universidade Nova de Lisboa, disse à Lusa que "as divergências são de tal forma grandes" que vai ser preciso "mais tempo para chegar a um consenso".

"Para os assuntos cruciais temos opções claras mas bastante diferentes em termos de ambição. Temos um aspeto mau que é a aviação e o transporte marítimo à escala global, que estão fora do acordo. Temos um segundo aspeto mau que é o facto de os compromissos nacionais serem legalmente vinculativos ter deixado de estar no texto - era o artigo 17º e neste momento está em aberto num outro artigo, mas de forma muito mais enfraquecida", comentou o especialista.

Apesar de "uma meta climática muito mais ambiciosa" que é "o texto se encaminhar para uma ambição de um aumento de 1,5 graus Celsius em relação à era pré-industrial", os pontos de discórdia continuam a ser o financiamento, os prazos das revisões das contribuições nacionais e a "diferenciação entre países, ou seja, o esforço de redução de emissões e de financiamento entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento".

Francisco Ferreira explicou que esta noite deverá haver novo texto, depois de na quarta-feira ter sido submetido já um documento aos 195 países que estão a negociar um acordo sobre o clima.

"As negociações vão continuar, de certeza, durante a noite, até chegarmos a um consenso que talvez consiga ser encontrado amanhã. Mas nenhuma conferência destas terminou, nos últimos anos, antes da madrugada de sábado para domingo. Nesta que é tão crucial eu acho que nós provavelmente iremos pelo mesmo caminho", considerou.

Também João Branco, presidente da organização ambiental Quercus, estimou que o acordo "está atrasado".

"Na minha opinião, está-se tudo a preparar para que saia um acordo muito fraquinho porque não vai haver entendimento numa série de questões fulcrais. A própria base de partida também já era muito fraquinha", declarou, apontando que os prazos enunciados no acordo são "a uma distância temporal muito grande" e que há desacordo em relação às "revisões intermédias".

Para o ambientalista, "uma das coisas que está a envenenar o acordo é a questão das compensações monetárias", argumentando que "os países não desenvolvidos estão a aproveitar a situação para tentarem obter o máximo de dinheiro possível dos países desenvolvidos", considerando que se caiu "numa situação que não é útil para a obtenção de um acordo porque a discussão não devia estar aí".

"Em termos dos países desenvolvidos, e da União Europeia em particular, é fácil prometer que vai haver afetação de verbas a partir de 2020 porque daqui a 2020 praticamente nenhuma destas pessoas estará nos governos. Eu queria vê-los era a prometerem para o próximo ano e a terem que inscrever coisas nos orçamentos de Estado dos próximos anos", declarou.

Ana Rita Antunes, Coordenadora do Grupo Energia e Alterações Climáticas da Quercus, faz um balanço positivo, até agora, da COP21 porque "há muita coisa a acontecer, muitas iniciativas de ONG's e iniciativa privada para encontrar soluções paralelas às soluções políticas para a questão das emissões de gases com efeitos de estufa".

"Cada vez há mais mobilização à volta das negociações e isto mostra que o mundo está a mudar, ou seja, há muita coisa a acontecer na redução de emissões de gases de efeitos de estufa que pode ser paralelo e muitas destas coisas não dependem das negociações e das decisões políticas", apontou a ambientalista, exemplificando com o facto de haver "cada vez mais pessoas a trabalhar na questão do desinvestimento de combustíveis fósseis" e na "transição para as energias renováveis".

Representantes de 195 países participam na conferência da ONU de Paris, com final previsto para esta sexta-feira, para chegar a um acordo que reduza as emissões de gases com efeito de estufa, principais responsáveis pelas mudanças do clima que levam a maior frequência de fenómenos extremos, como ondas de calor, secas ou cheias, e à subida do nível do mar.

Lusa

  • Luís Pina indiciado por quatro crimes de tentativa de homicídio
    2:24
  • Ministro "mais descansado" com relatório sobre Almaraz, ambientalistas contestam
    2:01

    País

    O ministro do Ambiente diz estar mais descansado depois de conhecer o relatório técnico que considera o armazém de resíduos nucleares em Almaraz uma solução adequada. Já as associações ambientalistas e os partidos criticam o parecer positivo à construção e querem ouvir os ministros do Ambiente e dos Negócios Estrangeiros no Parlamento.

  • Marcelo recebido por multidão na Ovibeja
    2:52
  • Líderes europeus unidos para iniciar saída do Reino Unido
    2:08
  • 100 dias de Trump em 04'30''
    4:33

    Pequenas grandes histórias

    Donald Trump tomou posse como 45º Presidente dos EUA dia 20 de janeiro de 2017, faz este sábado, 100 dias. Prometeu grandes mudanças, mas os planos acabaram por chocar de frente com a realidade e a burocracia de Washington, como foi o caso do Obamacare. Foi a primeira ordem executiva que assinou, no dia em que tomou posse, mas a revogação está longe de acontecer.