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O mundo espera hoje um acordo em defesa do planeta

A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas deverá terminar hoje em Paris, depois do prolongamento por mais um dia, para continuar a procurar consenso em assuntos que estão a impedir um acordo global sobre redução de gases poluentes.

O presidente da conferência para o clima, Laurent Fabius, anunciou na sexta-feira que iria continuar as consultas aos negociadores para apresentar hoje às 09:00 (08:00 em Lisboa) um novo projeto de acordo.

O responsável político francês estava otimista e dizia mesmo estar certo de que iria ter uma proposta de acordo que será aprovada.

O texto em discussão na sexta-feira foi objeto de críticas de investigadores preocupados com a inconsistência do último esboço conhecido relativamente à meta de limitar a subida da temperatura do planeta aos dois graus celsius, classificando o documento "entre débil e perigoso".

Os cientistas realçaram que, para atingir o objetivo para o acordo do clima de Paris, de limitar a subida da temperatura do planeta, "a economia mundial deve estar descarbonizada em 2050".

Depois da sessão de abertura, em que chefes de Estado e de governo discursaram em sucessão afirmando empenho no combate às alterações climáticas, representantes dos 195 países presentes na 21.ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21) estão há cerca de duas semanas a tentar encontrar um acordo considerado urgente.

A COP21 pretende alcançar um acordo global vinculativo sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa, responsáveis pelo aquecimento da atmosfera e consequentes mudanças do clima, sobre os prazos em que devem vigorar os compromissos e respetivas revisões, assim como sobre o financiamento das ações de adaptação às alterações climáticas, principalmente nos países em desenvolvimento, mais afetados pelos fenómenos extremos de calor, seca ou inundações e subida do nível do mar.

Como nas anteriores COP, as maratonas negociais dos últimos dias prolongaram-se até de madrugada, e na sexta-feira os trabalhos foram suspensos às 05:40, quando o resultado era um texto "ambíguo em vários parágrafos, com várias opções ainda entre parêntesis retos, ou seja, por decidir", como referia a organização ambientalista portuguesa Quercus, que acompanha a conferência, em Paris.

Para as organizações não-governamentais, os pontos cruciais continuavam a ser a ambição do acordo, a diferenciação, o financiamento, os compromissos nacionais, a monitorização e verificação.

Na ambição, como salientaram os cientistas, a formulação escolhida de limitar o aquecimento global bem abaixo dos dois graus, efetuando esforços para limitar o aquecimento a 1,5 graus, em relação à era pré-industrial "não é compatível com a eliminação total das emissões dos combustíveis fósseis apenas na segunda metade deste século".

No financiamento, além do montante base de 100 mil milhões de dólares, o acordo "deve enviar um sinal de longo prazo aos investidores, colocando um preço sobre o carbono, mas as Partes [países] parecem estar a falhar no seu dever de acabar com todos os subsídios aos combustíveis fósseis", salientam os ambientalistas.

Os representantes de 195 países mais a União Europeia estão há duas semanas em Paris a tentar alcançar um acordo vinculativo para a redução emissões de gases com efeito de estufa.

Os compromissos assumidos atualmente pelos países colocam o planeta numa rota de aquecimento de 3ºC em relação à era pré-industrial, o que está além do objetivo base de 2ºC, limite a partir do qual a generalidade dos estudos científicos considera que o planeta entrará num caminho de alteração climática drástica e irreversível.

Lusa

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